Maringá - O trabalho do médico Décio Basso, condenado a nove anos pelo sequestro da filha de um outro médico de Maringá, tem conotação social porque os mais de 268 presos da cadeia da 9ª Subdivisão Policial de Maringá estão sem assistência médica desde o ano passado. Uma determinação da Secretaria Municipal de Saúde retirou o único médico que prestava atendimento no local.
Pelo serviço que presta aos presos, os advogados de Basso podem até pedir remição da pena - a cada três de trabalho reduz um de prisão - na Justiça.
Técnicos da Vigilância Sanitária (VS) não conseguiram ontem vistoriar as condições de atendimento do médico na 9ª SDP. A Vigilância recebeu denúncia de que Basso teria encaminhado uma paciente para exames em um posto de saúde da cidade.
Segundo o chefe da VS Gilberto Pucca, os técnicos agendaram para segunda-feira uma visita na cadeia. Um fonte da Folha garantiu que o atendimento de Basso não se resume aos presos e se estende inclusive a funcionários da 9ª SDP. Segundo o Conselho Regional de Medicina, a profissão deve ser exercida em local com licença sanitária.
Além disso, o ‘‘consultório’’ deve oferecer condições de privacidade para o diálogo entre médico e paciente e também local adequado para o arquivo de prontuários. O processo administrativo contra o médico Décio Basso ainda está sendo analisado pelo CRM. Como não existe restrições, o médico pode exercer a profissão.
Basso está preso desde fevereiro do ano passado pelo sequestro da estudante Marta Berssani Chammas, 17 anos, filha do médico pediatra Kemel Jorge Chammas, presidente do CRM de Maringá. Basso foi condenado a nove anos, mas entrou com recurso contra a sentença judicial. Ele está em uma cela especial da 9ª SDP. Somente após o trânsito finla da sentença é que o médico será transferido para uma penitenciária.

mockup