Mário CésarPrimeiro passoMarlusa, Patrícia, Priscila e Tatiana mostram barreira: degraus impedem acesso de deficientesOito em cada dez pessoas, em algum momento da vida, passam por limitação física em consequência de acidentes, gravidez, idade avançada, cirurgias.
Esse argumento foi ponto de partida para um trabalho de quatro estudantes da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que querem mostrar a importância de uma sociedade sem barreiras arquitetônicas. Elas são formandas do curso de Comunicação Social (com habilitação em Relações Públicas).
O trabalho de conclusão de curso (TCC) das estudantes vai mais além: pretende desencadear uma revolução cultural. ‘‘As pessoas precisam compreender que uma cidade sem barreiras oferece melhores condições de vida para todos, e não só para os portadores de algum tipo de deficiência’’, afirma Priscila Nellessen Lazoski, que faz parte do grupo.
A ambição do grupo se sustenta em razões concretas. Em seis meses de trabalho as estudantes elaboraram 21 projetos. E conseguiram despertar a sensibilidade de empresas e órgãos que já transformaram em realidade alguns desses projetos.
Priscila Lazoski, Marlusa Dal’Igna, Tatiana Honório Silva e Patrícia Mareti Maçaira Fígaro elaboraram o trabalho Deficiência Física e Sociedade sem Barreiras - Respeitando as Diferenças - Uma Proposta de Relações Públicas para a Transformação Social. As normas para o trabalho de conclusão de curso exigem que as alunas coloquem em prática seu projeto e apresentem os resultados.
Elaborada a proposta inicial, cada estudante ficou responsável pela aplicação em algum setor específico. ‘‘Definimos como pontos prioritários o setor empresarial, os órgãos públicos e as crianças, todos multiplicadores de opinião’’, explicou Patrícia Fígaro. As alunas desenvolveram o trabalho junto à Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Prefeitura, Câmara de Vereadores, Catuaí Shopping Center e Núcleo Regional de Ensino.
Por sugestão do grupo, a direção do Catuaí definiu a adequação do estacionamento, com vagas especiais para deficientes. O shopping adquiriu cadeiras de roda para apoio aos clientes e algumas das lojas implantaram o atendimento diferenciado para idosos, gestantes e portadores de deficiências.
Com a parceria do Núcleo Regional de Educação, o grupo realizou palestras para professores e alunos em várias escolas da Cidade. ‘‘As crianças são multiplicadoras natas. Tudo o que aprendem levam para casa, onde fazem o trabalho de convencimento dos pais’’, comenta Marlusa. Ela conta que uma das escolas vai aproveitar as obras de reforma para fazer as adequações exigidas pela NBR 9050, da Associação Brasileira de Normas Técnicas.
A NBR 9050 padroniza as adequações estabelecendo as medidas adequadas para atender melhor o portador de deficiência física. O trabalho do grupo também foi definitivo na apresentação de projeto de emenda à lei municipal 5.114. A lei obriga todos os prédios públicos a adequarem sua estrutura para permitir o acesso fácil aos portadores de deficiência. A emenda obriga a padronização das adequações à NBR 9050.
Outro resultado do trabalho do grupo é a parceria entre Acil, empresa Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) e Sercomtel, que levou à elaboração de um mapeamento da Cidade. O documento vai apontar onde moram os portadores de deficiência e quais as linhas de ônibus mais utilizadas por eles. A TCGL irá dar prioridade a esses pontos para implantação de ônibus especiais. A Sercomtel vai implantar orelhões rebaixados nesses lugares.
As estudantes apresentaram os resultados do trabalho à banca avaliadora da UEL na terça-feira. A nota do trabalho, segundo informou o Departamento de Comunicação, será divulgada em 1º de dezembro.
O trabalho já rendeu um convite da Prefeitura de Aparecida do Norte (SP) que quer conhecer melhor as propostas do grupo. Priscila diz: ‘‘Não temos a ilusão de que vamos mudar a Cidade, mas temos certeza de que demos o primeiro passo.’’

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