Trabalho da Ação
Social promove
a auto-estima
Cesar AugustoO jogo, numa mesa ao ar livre em frente à Biblioteca Pública de Londrina, nem sempre com a disponibilidade de um parceiroCesar AugustoCirse Fujita, 73 anos, a mais idosa de um grupo de hidroginásticaA Secretaria de Ação Social de Londrina conta com um gerência de atenção à família e à comunidade, que assiste, entre outras pessoas, os idosos carentes e em situação de risco. ‘‘Existe uma lei orgânica de assistência social que estabelece o público-alvo da assistência, no qual está inserido este tipo de idoso’’, explica a secretária de Ação Social Marisa Goettel do Nascimento.
Segundo ela, atualmente há cinco grupos de vivência trabalhando com a terceira idade em várias regiões do município – no distrito de Guaravera, Jardins Santa Fé e Interlagos, Conjunto Maria Cecília e Vila Portuguesa. Aproximadamente 220 idosos são assistidos pelo programa. A secretária informou ainda que a Ação Social repassa verbas mensais para cinco entidades assistenciais, totalizando aproximadamente R$ 11 mil.
No grupo de vivência do Jardim Interlagos (zona leste), há 80 inscritos e cerca de 50 que participam ativamente. Segundo a psicóloga da Secretaria Silvely Maria Villela Gazola, que coordena as atividades com os grupos de idosos, a maioria dos participantes tem entre 65 e 75 anos. As reuniões acontecem todas as quartas-feiras à tarde, no salão paroquial da Igreja Nossa Senhora do Amparo.
De acordo com Silvely Gazola, os encontros visam promover a auto-estima de cada um, resguardar seus direitos, trabalhar aspectos da coordenação motora, auto-gestão, organização e trabalho em grupo. Todos eles começam com uma sessão de sensibilização, seguido de atividades como bingo, trabalhos manuais e até alfabetização. Passeios e confraternizações também são comuns no projeto.
‘‘Sou sempre a primeira a chegar e a última a sair’’, brinca Amália Conceição Neves, de 77 anos. Ela frequenta o grupo desde 1993, e conta que esta é a sua única diversão. ‘‘Nós aqui somos todos irmãos. Somos todos ‘franzidos’, diz referindo-se às rugas que todos ostentam, orgulhosamente.
Viúva, Amália Neves tem apenas oito dos 15 filhos vivos. Apesar das 12 cirurgias que já teve que enfrentar – a maioria delas na perna, onde teve inclusive que fazer implante de osso por causa de uma osteomielite (infecção nos ossos) –, ela demonstra um bom-humor invejável. ‘‘No dia que não posso vir, sinto falta’’, conta.
José Arozino da Silva, 68 anos, está aproveitando para tentar realizar um de seus maiores sonhos: aprender a ler e a escrever pelo menos o seu nome. ‘‘Quando era criança, era uma dificuldade para ir na escola. A gente tinha que andar uma distância igual à daqui a Jataizinho.’’
Ele confessa, porém, que está tendo dificuldades em desvendar os mistérios das letras. ‘‘Acho que vou ter que desistir, porque fico nervoso’’, chegou a dizer. Ao mesmo tempo, porém, conta que são inúmeras as dificuldades quando precisa se locomover sozinho. (S.L.)

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