Trabalho conjunto contra a dengue
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quinta-feira, 11 de julho de 2013
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 
Para evitar a dengue, não é segredo que a população é o elemento mais importante, cuidando das casas e mantendo o mosquito longe. Em alguns bairros de Londrina, o empenho da comunidade já foi percebido pelos agentes de Endemias, que estão encontrando menos focos durante as visitas de rotina.
"O Levantamento Rápido do Índice de Infestação de Aedes aegypti (Liraa) só será apresentado no final deste mês, mas já estamos percebendo a diferença. É um sinal de que as pessoas estão cuidando mais das casas. Nesta época do ano é comum diminuir, mas com o calor e as chuvas, precisamos manter os cuidados e os moradores de alguns bairros estão fazendo a sua parte" afirma o coordenador de Endemias da Secretaria de Saúde de Londrina, Jorge Augusto de Sá.
Boletim divulgado no início desta semana aponta que são 5.842 notificações e 1.118 casos confirmados no município, sendo 174 no Centro, 113 na zona leste, 313 na zona norte, 313 na zona oeste, 190 na zona sul e 15 na zona rural. "Tivemos 17 casos graves, sendo 11 de complicações da dengue clássica e 6 de febre hemorrágica. Felizmente, todos os pacientes já estão fora de perigo", destaca. O último Liraa foi feito em março, com índice de 6,2% de infestação no município. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o índice aceitável é de 1%.
O Jardim Santa Fé (zona leste) é um dos bons exemplos do esforço da comunidade, somado ao trabalho dos agentes. "Lá o índice era bem alto e com um trabalho diferenciado, com a visita dos agentes a cada 30 dias, diminuiu o número de focos", aponta Sá.
No Jardim Felicidade (zona norte), o número de focos também diminuiu. A reportagem da FOLHA acompanhou parte do trabalho da agente Fabiane Soares Cardoso durante visitas às residências no bairro.
Tirando o grande número de residências fechadas, as outras apresentaram poucos problemas, como água parada, mas nenhum foco foi encontrado. O medo de contrair dengue novamente faz com que algumas pessoas tomem cuidados extras, como a doméstica Tânia Carvalho. "Faz tempo que tive (dengue), ainda bem que não precisei ficar internada, mas tomo bastante cuidado para não ter novamente, tenho medo da doença. Por isso não deixo água parada, as plantas não têm pratinhos e as vasilhas de água dos cães são lavadas todos os dias", garante.
A artesã Luzinete Alves também teve o quintal aprovado. "Coloco água nas plantas no tanque e deixo um tempo lá, para escorrer o excesso. Só depois coloco nos pratinhos, que uso para não sujar a mesa. Desse jeito não fica água parada. Também guardo alguns vidros para embalar sabão, mas eles ficam fechados dentro de um tambor, então não tem risco de juntar água. A gente tem medo da dengue, né?", explica.
A dona de casa Maria Madalena Gonçalves também diz cuidar bem do quintal e das vasilhas de água dos pássaros, o que foi comprovado na vistoria.
Fabiane conta que em geral as casas não apresentam problemas, mas em alguns locais o lixo em terrenos baldios se torna o vilão. No final de semana passada foram realizadas ações de limpeza em alguns fundos de vale, como forma de evitar a proliferação do Aedes Aegypti.
Sá conta que esse trabalho é realizado aos domingos, assim como continua sendo feita aos sábados a abordagem dos moradores cujas casas estavam fechadas durante a semana.
"Nos locais onde há casos suspeitos e confirmados também trabalhamos com a pulverização do veneno, conforme indicação do Ministério da Saúde. Além disso também fazemos esse trabalho em pontos específicos, como ferros-velhos."
O coordenador afirma que aos poucos está sendo percebida uma mudança de atitude nas pessoas, inclusive para receber os agentes. "Mas temos muita coisa cultural que oferece riscos, como juntar água para limpar a calçada. Nesses casos indicamos tampar ou colocar tela. Mesmo assim tem locais que acumulam água e não temos acesso, como galerias subterrâneas. As pessoas também precisam se atentar para manter as calhas limpas", pede.
Serviço:
Para denunciar a presença de mosquitos ou recipientes com água parada em locais públicos ou em imóveis abandonados o município disponibiliza o Disque Dengue: 0800-4001893. O serviço funciona de segunda a sexta-feira das 8 às 17 horas e aos sábados das 8 às 14 horas.


