Trabalho compara bolsas no Brasil e na França
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 03 de julho de 1998
Guilherme Pupo 
O que as bolsas de valores brasileiras e francesas têm em comum? A pergunta é respondida no trabalho O Mercado de Capitais, um paralelo entre o Brasil e a França, desenvolvido pela estudante de Direito Carla Ricchetti, 21 anos, de Curitiba.
O trabalho foi inscrito no Prêmio Colbert, criado pela Câmara de Comércio e Indústria Franco-Brasileira do Paraná para estimular pesquisas sobre o intercâmbio entre os dois países. Dos 50 trabalhos inscritos, cinco foram selecionados e concorrem a uma passagem para a França.
Na comparação de dados entre Brasil e França, a estudante Carla Ricchetti percebeu que há uma grande resistência ao processo de abertura do capital nas empresas brasileiras. Os investidores brasileiros ainda são muito conservadores e presos à renda fixa, comentou ela. Enquanto na França 27% dos investimentos na Bolsa são de pessoas físicas, na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa, a maior do País), esse percentual não ultrapassa 10%.
De acordo com a estudante, o número de empresas registradas na Comissão de Valores Mobilibários (CVM) ainda é muito baixo e o mercado de ações brasileiras ainda tem um grande potencial de crescimento. Atualmente, há 962 empresas cadastradas na CVM, mas 551 estão concentradas na Bovespa e apenas 10% têm liquidez.
Outro fator abordado é a relutância das empresas em divulgar informações. Os empresários brasileiros temem que a divulgação das informações obrigatórias por lei possa prejudicar sua imagem no caso de resultados negativos ou favorecer a concorrência com notícias prematuras, tornando-as vulneráveis, disse ela. Na França, ao contrário, o mercado é categorizado conforme o nível de qualidade de informação que determinada empresa presta.


