Um grupo de presos da Delegacia de Mandaguaçu (16 km de Maringá) está sobrevivendo e até sustentando as famílias com o trabalho de arraiolo, técnica de bordar tapetes com lã. Há mais de um ano o visual da cadeia tem sido outro, com telas coloridas penduradas pelo teto e nas grades, vidros de tinta e muita lã.
A oportunidade de trabalho surgiu através de uma parceria entre a delegacia, prefeitura e uma empresa de tapetes de Maringá. Os presos aprenderam as técnicas com uma artesã profissional e se dividem entre o bordado e a pintura para dar motivos às telas.
O preso Juarez Angelo Bernardin, 34 anos, que há um ano se dedica à atividade artesanal, é hoje um dos professores da cadeia. Bernardin ensina para os presos recém-chegados e que se interessam pelo trabalho. Ele conta que recebe uma média de R$ 180,00 por mês pintando as telas. ''Tenho três filhos e o dinheiro que ganho aqui ajuda no sustento da minha família'', diz Bernardin.
Para Eduardo Domeciano, 24, o trabalho é ideal porque ocupa o tempo. ''Quando sair daqui posso continuar na atividade'', afirma Domeciano. O preso Laerte Pierson, 49, que está em Mandaguaçu esperando o fim da reforma na cadeia de Cianorte, diz que o projeto poderia ser levado para outras delegacias. ''Estou há 50 dias aqui e consegui aprender um trabalho muito interessante'', diz Pierson.
Conforme o delegado Valdir Adão Samparo, por causa do arraiolo a cadeia de Mandaguaçu tem hoje uma situação inversa. ''Aqui as famílias vêm buscar dinheiro, enquanto em outras delegacias são os parentes que ajudam o preso'', lembra o delegado. ''O preso precisa ser visto como um ser humano e um ser humano produtivo'', completa.

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