''Trabalhando aqui, cumpro o chamado do Senhor''
Mesmo trabalhando como agente penitenciário há 11 anos, Elias Reis da Silva, 40 anos, pastor licenciado pela Igreja do Nazareno, participa ativamente da evangelização de detentos. ''Assim cumpro o chamado do Senhor. Trabalhando no sistema vi a necessidade de entender e resgatar a alma do ser humano'', explica.
Com experiência de anos de contato com os presos, ele afirma que a maioria dos convertidos realmente passa a seguir as leis de Deus. ''Vi muitas vidas transformadas pelo poder do Evangelho'', conta. Para ele, a acusação de que muitos presos ''se escondem atrás da Bíblia após terem cometido atos graves''. ''Muitos têm recaídas, mas as oscilações são comuns na vida de qualquer pessoa'', compara.
O próprio organizador do batismo, o pastor Adalton Deboit Tomaz, é um exemplo de ex-detento cuja reabilitação foi motivada pelo envolvimento com a igreja. A mesma fé que impulsiona os presos também afeta amigos e parentes. Moisés Silva, 19 anos, participou pela primeira vez de um batismo numa cadeia. ''Meu irmão esteve preso aqui e já foi solto. Acho que a religião é uma maneira boa de trazer alegria aqui dentro. Aqueles que se convertem de coração mesmo, acho que largam o crime'', destaca Silva, que quer continuar participando de pregações em carceragens.
Outro movimento importante é a Pastoral Carcerária, formada por integrantes da Igreja Católica há cerca de dez anos. O ponto alto do trabalho é a missa realizada aos sábados na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL). Um trabalho social também é desenvolvido junto às presas do 3 º Distrito Policial. ''Queremos expandir a atuação para outros distritos, para a Casa de Custódia e o Educandário. O problema que enfrentamos é a falta de gente para ir nas cadeias'', revela Roseli Mondek, 34, vice-coordenadora da pastoral. ''Com mais gente, poderíamos fazer mais. Mesmo assim, conseguimos bons resultado. Vemos a motivação de mudança em muitos presos'', ressalta. (F.R.F.)





