Utilizando os conhecimentos adquiridos nas aulas, a artesã Francisca Maria Raimundo de Oliveira resolveu aproveitar a estrutura de três módulos desativados da Polícia Militar de Apucarana para criar os trabalhadouros comunitários: ''Espaços onde reunimos pacientes da oncologia, portadores de HIV e senhoras que sofrem de depressão para produzir tapetes, guardanapos e cachecóis'', explica. Ela dedica o dia todo ao trabalho voluntário e se mantém dando aulas particulares de artesanato no tempo livre.
Luz, água e aluguel do espaço são mantidos pelo Município e os futuros artesãos são capacitados por dez professores diplomados na Escola da Oportunidade, a qual também cede parte da matéria-prima, em conjunto com empresas locais. ''Os trabalhadouros funcionam há oito anos e hoje atendemos cerca de 150 alunos. Mas já perdemos alguns, vítimas do câncer'', lembra Francisca, que centraliza o lucro da venda das peças e distribui conforme a necessidade dos participantes.
''Eles ficam com uma peça e produzem duas para o grupo e o dinheiro arrecadado ajuda no sustento das famílias, na maioria carentes'', reforça a coordenadora, assinalando que as aulas tem poder terapêutico para a maioria dos participantes.
Inserida num dos grupos há apenas dois meses, Maria Fidelina Alves de Araújo, 72 anos, não sabia bordar e está contente em aprender a fazer cachecóis. ''Estou achando bom. Fico o dia inteiro bordando, se deixar'', confessa.
Sem casa própria, a idosa mora com ''uma colega'', e ajuda na limpeza da casa e a cozinhar. ''Com a renda do artesanato compro meus remédios da tireóide e ajudo em casa'', diz Maria Fidelina, que veio de Pernambuco para o Paraná na adolescência e nunca mais voltou. ''Não tenho família, pai e mão morreram e não tenho filhos. Trabalhei como bóia-fria por muito tempo, mas fiquei doente e tive que parar. Hoje é muito melhor fazer artesanato, até levo linha para casa para praticar.'' (M.G.)

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