Trabalhadores sem-terra em conflito
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quinta-feira, 23 de junho de 2005
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
Centenário do Sul - Integrantes de dois movimentos de trabalhadores sem-terra entraram em confronto, ontem de manhã, em Centenário do Sul (91 km ao Norte de Londrina). O conflito ocorreu na fazenda Quem Sabe, cujas margens estão ocupadas por 30 famílias do Movimento dos Agricultores Sem Terra (Mast) há quase dois anos. Segundo o sargento Sérgio Barbosa, comandante do destacamento da Polícia Militar no município, um grupo grande do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) invadiu a fazenda há três meses. A iniciativa teria motivado o Mast, que já estava nas margens da propriedade, a passar para dentro da cerca.
''Pedimos reforço da PM de Porecatu e fomos até o local. Quando chegamos lá, o pessoal do MAST já tinha sido expulso. As coisas deles estavam todas jogadas na estrada'', contou o sargento, que determinou a permanência de duas viaturas no local para evitar novos conflitos. ''A situação está tensa'', avaliou.
O coordenador estadual do Mast, Valdir Antunes, registrou boletim de ocorrência contra o MST, ontem, na delegacia de Centenário do Sul. Ele acusa o grupo de ter destruído barracos, ameaçado famílias e até mesmo de terem roubado toca-fitas de carros e R$ 30,00 em dinheiro. De acordo com ele, o MST invadiu a fazenda depois que o decreto de desapropriação foi baixado, três meses atrás.
''O MAST, que já estava na estrada há dois anos, resolveu entrar também'', justificou. Expulsos, eles pretendem ficar do lado de fora até que se defina a questão da posse da terra. ''Quem está negociando essa área com o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) é o Mast. Quem manda na reforma agrária, o Incra ou o MST?'', questionou.
Anísio Cardoso, da coordenação estadual do MST, negou que o Movimento tenha agido com violência para expulsar os membros do Mast. ''Tentamos conversar várias vezes para unificar o movimento, mas eles não quiseram. Não teve violência, apenas pedimos para eles se retirarem'', disse. Para o coordenador, o grupo concorrente não tem direito à fazenda em disputa. ''A terra é pública e vai ser para reforma agrária. Quem estiver em cima é dono'', afirmou.


