Cerca de 3 mil trabalhadores rurais de Porecatu (85 km ao norte de Londrina) e municípios da região denunciaram novamente a Usina Central do Paraná ao Ministério Público do Trabalho (MPT), por falta de pagamento de salário. Os funcionários, que trabalharam no corte de cana, não receberam o pagamento de novembro e os acertos rescisórios do fim da safra. A usina, que também não depositou o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) dos empregados, acumula dezenas de ações no MPT por irregularidades trabalhistas. No início do ano, depois de uma greve de 20 dias, a direção da empresa se comprometeu a cumprir todas as pendências. A situação dos funcionários, segundo os sindicatos rurais, é desesperadora.
Segundo o presidente do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Nossa Senhora das Graças (85 km ao norte de Maringá), Adelson Farias Luz, a situação está mais difícil para os trabalhadores que foram dispensados no dia 9 de novembro e não conseguiram outra colocação. ''Alguns estão passando fome'', afirmou. Somente em Nossa Senhora das Graças, cerca de 50 pessoas foram contratadas para trabalhar na safra. A maioria dos bóias-frias, que recebe por tonelada de cana cortada, informou Farias, ganha de R$ 3,00 a R$ 5,00 por dia. Apenas cerca de 20% conseguem receber uma média de R$ 8,00.
De acordo com o sindicalista, além de não pagar, a usina ainda está retendo as carteiras de trabalho dos empregados, dificultando a contratação deles em outro serviço. Aproximadamente 15 cidades e distritos ao redor de Porecatu dependem direta e indiretamente dos empregos oferecidos pela Usina Central do Paraná. Somente em Porecatu, afirmou Farias, são cerca de 5 mil pessoas, parte delas trabalhando com contrato definitivo e por tempo limitado. Em Florestópolis, complementou, cerca de 1 mil empregados estão se receber.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Colorado (85 km ao norte de Maringá), Aparecido Calegari, disse que vem cobrando a empresa, sem sucesso. ''Nem sequer fui atendido'', reclamou. Em Guaraci (72 km ao norte de Londrina), o sindicalista José Monteiro da Silva, também endossa as denúncias contra a usina. Segundo o padre de Porecatu, Giancarlo Villa, ''durante a safra até que houve uma certa pontualidade, mas bastou terminar o corte da cana para a empresa voltar ao velho vício do atraso.''
A Folha tentou contato com o diretor administrativo da usina, Glauco Miguel Ferrigno, mas ele estava vaijando e não retornou à ligação.

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