Trabalhadores protestam e fecham rodovia
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quarta-feira, 28 de maio de 2008
Cláudia Palaci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Funcionários da Kraft Foods do Brasil fecharam a rodovia do Contorno Sul em frente à empresa, na Cidade Industrial de Curitiba, entre 7 e 9 horas de ontem. A manifestação foi para cobrar a construção de uma passarela para pedestres e também a favor da redução da jornada de trabalho. Foi formado um engarrafamento de cerca de 20 quilômetros, segundo a Polícia Rodoviária.
Os funcionários reclamam para para chegar à fábrica é preciso atravessar a rodovia. Não há pontos de ônibus perto do local. Nos últimos três anos, quatros pessoas morreram atropeladas e centenas já foram vítimas de pequenos acidentes. Vilma Teresinha Gomes contou que perdeu a filha Ângela Letícia Bento, 23 anos, em outubro de 2006. A jovem foi atropelada quando chegava para trabalhar, às 7h50.''Estou aqui para que outras mães possam receber seus filhos de volta e não tenham uma ferida aberta no peito como a minha'', lamentou.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Kraft, Célio das Neves, cerca de cinco mil funcionários trabalham na fábrica diariamente. Há cinco anos eles pedem a construção da passarela. ''A prefeitura diz que existe o projeto com aprovação do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transporte (Dnit), mas que não há verbas. Vamos entrar com ações no Ministério Público contra estes órgãos por negligência contra a vida humana e responsabilizá-los pelos acidentes'', alerta Neves.
Ainda de acordo com Neves, a Urbanização de Curitiba (Urbs), órgão responsável pelo transporte coletivo da capital, ''alega que não há como desviar linhas de ônibus para a porta da Kraft.''
O Dnit informou, por meio da assessoria de imprensa, que há um estudo para fazer a adequação viária de um trecho de 16 quilômetros do contorno, o que incluiria a construção de quatro ou cinco passarelas, além de mudanças no fluxo do tráfego e sinalização. O projeto deverá ser concluído este ano, mas as obras, que somam perto de R$ 80 milhões, só devem começar em 2009. Ainda segundo o Dnit, está sendo negociada uma parceria com a Prefeitura de Curitiba, que se encarregaria da elaboração do projeto. Com isso, as obras poderiam ser iniciadas ainda este ano.
O diretor de Assuntos Corporativos da Kraft, Fábio Acerbi, disse que a empresa considera as reivindicações dos funcionários ''mais do que legítimas''. A Kraft, segundo ele, tem acompanhado a questão, desde o acidente ocorrido em outubro de 2006, quando algumas medidas paliativas foram adotadas pela Urbanização de Curitiba S.A. (Urbs), nas marginais da rodovia. O executivo assegurou que a empresa está disposta, inclusive, a contribuir com recursos, caso a parceria público-privada seja necessária para viabilizar a obra.
Os manifestantes reclamaram que policiais militares agiram com truculência. ''Eles tentaram impedir o nosso protesto com escopeta em punho e empurrando o pessoal'', relatou o funcionário Fernando Lourenço da Silva. Seis pessoas foram detidas. A PM informou, por meio da assessoria de imprensa, que houve um princípio de tumulto, mas negou qualquer agressãoo física. Ainda de acordo com a assessoria, se for constatada alguma irregularidade, os PMs serão responsabilizados. (Colaborou Andréa Lombardo)


