Trabalhadores pedem segurança no trânsito
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quarta-feira, 07 de maio de 2003
Emerson Dias<BR>Reportagem Local 
Acima, um pontilhão com diversos acessos para a BR-369. Abaixo, uma pista dupla em declive irresistível para motoristas que excedem a velocidade. No centro desta armadilha do trânsito, uma indústria de confecções com cerca de 600 funcionários.
A ZKF Confecções Ltda fica na Avenida Winston Churchill, uma via dupla que liga o centro à zona norte de Londrina. Segundo os funcionários, semáforos e faixas para pedestre colocados em frente à indústria não resolvem os problemas do trânsito. ''Já vi vários acidentes nos cinco anos em que trabalho aqui. Só este ano foram quatro casos, inclusive o da Cida, que foi atropelada no dia do pagamento'', disse a costureira Denilza Ribeiro de Souza, 31 anos.
Denilza se refere a Maria Aparecida de Oliveira, 56, atropelada no dia 4 do mês passado. A vítima tinha 11 anos de firma e havia acabado de receber o salário quando foi gravemente ferida por um ônibus de transporte coletivo. Cida morreu no hospital, depois de ficar internada três dias. ''Com 600 pessoas saindo do prédio e o semáforo com tempo curto para o pedestre passar, só pode acabar em acidente. A prefeitura deveria colocar um pardal (vigia eletrônico) para multar quem passa aqui em alta velocidade'', sugeriu Isabel Correia Lima Ferreira, 35, também costureira.
Para outra funcionária da confecção, Marinalva de Souza, 30, o local deveria ser ''tratado como uma escola''. ''Acho que deveria ficar um guarda ou fiscal de trânsito na hora da saída do pessoal. Os motoristas não respeitam a sinalização'', lamentou.
A Companhia de Trânsito (Ciatran) registrou, desde janeiro deste ano, 16 acidentes em toda a extensão da Winston Churchill. Deste total, 21 pessoas ficaram feridas e uma morreu. O aspirante Marcelo Barros do Nascimento, Ciatran, concordou com o fato do trânsito local ser perigoso, mas salientou que os pedestres também deveriam ser mais responsáveis. Ele afirmou que várias vezes foram flagradas pessoas aguardando as costureiras no lado oposto da pista.
O gerente de fiscalização de Trânsito da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Álvaro Grotti Junior, concorda com a afirmação do aspirante, mas disse que está estudando possíveis alternativas para o local. ''Percebemos que falta ali uma certa obediência à sinalização, tanto por parte dos pedestres quanto dos motoristas'', afirmou. ''Não há possibilidade de instalar um vídeovigia no local, mas podemos treinar um funcionário da empresa para que seja um monitor de trânsito'', acrescentou. Ele destacou que apenas algumas escolas públicas têm funcionários da CMTU fiscalizando o trânsito em horários de pico.


