Trabalhadores param por falta de pagamento
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quinta-feira, 24 de dezembro de 1998
Vânia Moreira 
Cerca de 1.100 cortadores de cana de Rondon (100 km a nordeste de Umuarama) estão em greve por causa do atraso no pagamento do 13º salário. A Destilaria de Álcool Cocarol propôs pagar o 13º em duas parcelas, uma dia 15 de janeiro e outra em 15 de fevereiro, mas os trabalhadores recusaram. Querem receber o salário integral esta semana. Terça-feira, aproximadamente 600 bóias-frias se reuniram no pátio da destilaria e bloquearam a entrada de caminhões carregados de cana. Ontem eles suspenderam o bloqueio. A destilaria está moendo a cana que já estava cortada nas lavouras.
Os cortadores cruzaram os braços segunda-feira, depois que a destilaria informou que não teria condições de pagar o 13º agora. Segundo o assistente de diretoria da Cocarol, Carlos Albert Larcher, todas as indústrias do setor sucroalcooleiro passam por uma crise financeira e estão com dificuldade para pagar os empregados. Além dos cortadores, a Cocarol tem mais 160 empregados na indústria, que aceitaram receber o 13º em duas parcelas. A destilaria precisaria de aproximadamente R$ 200 mil para pagar os trabalhadores rurais. Não temos este dinheiro agora, disse Larcher.
Ontem as negociações estavam suspensas. Os grevistas não se reuniram em frente à destilaria, nem procuraram os diretores para retomar as negociações. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Antônio Belém, informou que os grevistas rejeitaram o parcelamento e estão dispostos a manter a greve até receberem o 13º. A destilaria está no final da safra. Segundo Larcher, a previsão era terminar a colheita e moagem nos próximos 20 dias. A destilaria deve produzir este ano quase 60 milhões de litros de álcool. O produto está sendo vendido a R$ 0,18 segundo Larcher, abaixo do custo de produção estimado em R$ 0,25.


