Trabalhadores paralisam coleta de lixo em Londrina e Ibiporã
Funcionários de terceirizada reclamam de jornada exaustiva além do acordado e quebra recorrente de caminhões; empresa alega falta de “motivação legítima” para interrupção
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quarta-feira, 19 de agosto de 2026
Funcionários de terceirizada reclamam de jornada exaustiva além do acordado e quebra recorrente de caminhões; empresa alega falta de “motivação legítima” para interrupção

Funcionários da empresa responsável pela coleta de resíduos sólidos na área urbana, distritos, patrimônios e vilas rurais de Londrina paralisaram suas atividades na manhã de quarta-feira (19), reivindicando condições dignas de trabalho e que a jornada prevista em contrato seja respeitada. A terceirizada, contratada pela Prefeitura, é a Sistemma Assessoria e Construções Ltda. Ela presta o mesmo serviço para Ibiporã, na Região Metropolitana, com o recolhimento do lixo afetado do mesmo modo. Com negociações entre a companhia e os trabalhadores, o turno da noite iria retomar as atividades no mesmo dia em Londrina, mas os funcionários decidiram retornar apenas na quinta (20) pela manhã.
Cerca de 85 funcionários se recusaram a trabalhar nesta quarta, com motoristas e coletores promovendo uma manifestação em frente à sede da empresa, na zona leste. A motivação foi a falta constante, nas últimas duas semanas, de caminhões necessários para suprir a demanda de todas as regiões da cidade. Já ocorreu de a frota contar com sete veículos a menos do que o acordado no total, considerando que 17 são mínimos, com mais dois reservas.
“A coleta de lixo é dividida em setores, com cada equipe composta por um caminhão, um motorista e os quatro coletores. Quando não tem um caminhão disponível, outro caminhão de outro setor é deslocado para cobrir aquele que ficaria sem. Então, como tem sido constante a quebra, eles têm trabalhado muito além da jornada contratada”, informou Vinicius Petrilo, advogado do Siemaco, sindicato que representa a categoria em Londrina.
‘Funcionários esgotados’
Na terça (18), uma equipe que saiu para realizar a coleta às 14h pôde finalizar o serviço somente às 21h, retornando à empresa às 7h de quarta para iniciar o trabalho novamente, “o que ultrapassa o horário legal entre uma jornada e outra de trabalho”. Por conta disso, a equipe que deveria ter saído às 18h30 iniciou a tarefa às 21h, gerando um “efeito cascata”, segundo Petrilo. “A coleta é uma atividade bastante desgastante pela quantidade de quilômetros que eles têm que andar, e aumenta ainda mais com a maior jornada. Eles chegaram no limite do cansaço”, completou.

Disse ainda que devido a “grande quantidade de horas em uso do equipamento”, os caminhões têm sofrido problemas com mais frequência. Nesta quarta, quatro estavam com suas caixas de câmbio quebradas.
Contrato defasado
A situação se arrasta há meses, com a realização de ao menos duas reuniões entre a empresa e o sindicato para tratar do assunto no último trimestre. Conforme o advogado, a Sistemma “se comprometeu a melhorar a manutenção, fez uma compra grande de pneus e tinha colocado em ordem, mas acabou voltando no mesmo problema com o tempo. No final, a alegação é que a cidade cresceu, precisa de uma quantidade maior de caminhões para atender e que tem feito tudo que pode para dar conta do contrato”.
Os funcionários solicitam “melhores condições de trabalho e melhorias na manutenção dos equipamentos”, disse Petrilo. A empresa informou que não irá descontar o turno não trabalhado dos motoristas e coletores.

A coleta também foi interrompida em bairros de Ibiporã, com previsão de normalização na quinta (20), conforme o Samae (Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto).
Sem ‘motivação legítima’
A Sistemma assumiu a coleta de lixo em Londrina em março de 2022. Em nota divulgada nesta quarta, foi dito que “não houve qualquer deficiência operacional ou motivação legítima que justificasse a interrupção dos serviços”, com 17 caminhões à disposição em Londrina e três em Ibiporã, além dos veículos reservas. “A paralisação ocorreu sem comunicação prévia à empresa e sem apresentação formal de reivindicação coletiva relacionada às condições de trabalho ou aos interesses da categoria”, completou. Disse ainda que medidas administrativas e judiciais estão sendo avaliadas.
A CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) garantiu que as áreas afetadas pela paralisação serão normalizadas nos próximos dias. Na quarta, emitiu duas notificações à Sistemma. A primeira devido a realização do serviço na noite anterior com apenas 16 caminhões, com a impossibilidade da saída do 17º veículo em razão da falta ao trabalho de 15 funcionários. Já a segunda, foi lavrada pela não execução da coleta por conta da ação dos funcionários.
Esclareceu que “fiscaliza regularmente, conforme estabelecido em contrato, as operações da empresa responsável pelo serviço, incluindo as condições e a manutenção dos caminhões, bem como as condições de trabalho dos coletores. A CMTU segue acompanhando a situação e atuando como intermediadora entre as partes, com o objetivo de garantir que o serviço seja retomado em sua capacidade máxima e evitar novos prejuízos à população de Londrina”, finalizou.
(atualizado às 21h15)


Heloísa Gonçalves
Repórter com atuação em Educação, Saúde e Cidades.


