Trabalhadores fecham duas rodovias em Porecatu
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quinta-feira, 05 de junho de 2008
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
Porecatu Trabalhadores contratados em serviços de transporte da Usina Central Paraná, em Porecatu (Norte), realizaram nova manifestação ontem e bloquearam duas rodovias de acesso à cidade. Dirigindo dezenas de caminhões, tratores e máquinas, cerca de 50 motoristas partiram logo de manhã para o trevo das PR-170 (que liga Paraná a São Paulo) e PR-090 (para Alvorada do Sul) para protestarem pelo atraso de seis meses no pagamento dos salários. A dívida, que a empresa propõe pagar em duas vezes, já passa dos R$ 4,5 milhões. Enquanto isso, o comércio do município torce para que o problema se resolva logo e o dinheiro volte a circular.
O protesto começou logo pela manhã e foi em direção ao trevo, a cerca de sete km do Centro de Porecatu. Lá, os trabalhadores expuseram um caixão representando a situação de penúria dos trabalhadores. Após cerca de uma hora, os motoristas retornaram em carreata pelo Centro, passaram em frente à entrada da Usina e bloquearam a avenida em frente à Praça da Matriz até o meio da tarde.
Uma assembléia a ser realizada na tarde de hoje deverá apontar qual caminho será seguido: se aceitam a proposta feita pela empresa - que acenou com o pagamento de 40% da dívida na próxima terça-feira e o restante em 20 dias - e voltam todos ao trabalho; ou se mantém a paralisação até que a dívida seja paga integralmente.
A manifestação foi acompanhada pelo interlocutor dos trabalhadores, padre Manoel Joaquim, pelo membro do Conselho de Pastores de Porecatu, pastor Celso Quarentei, e pelo presidente do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens de Londrina e região (Sindicam-Lda), Carlos Roberto Dellarosa.
Motoristas e proprietários de veículos contratados para fazerem o transporte de trabalhadores e da safra para a Usina estão sem receber desde novembro do ano passado. Muitos relataram que a situação beira o caos, porque os credores já não podem mais esperar. Um motorista de ônibus chorou ao tentar explicar como está conseguindo sobreviver. Esto devendo para todo mundo. Daqui a pouco vou perder tudo, desesperou-se. Por medo de possíveis retaliações, ele pediu para não ser identificado. Situação semelhante acomete o caminhoneiro Marcos Antônio Alves. Já teve gente que perdeu o caminhão para o banco mas eu só volto a trabalhar quando tiver o dinheiro na minha conta, afirmou.
Dinheiro este que faz muita falta à economia de Porecatu e de mais quatro municípios da região. O diretor financeiro da Associação Comercial e Empresarial de Porecatu, Sérgio Luiz Lopes da Silva, disse que o comércio é refém da situação e que a inandimplência, sobretudo entre os lojistas, já ultrapassa os 30%. Os empresários, principalmente os lojistas, não têm como fazer um planejamento de compras. Lojas do setor de calçados, por exemplo, chegaram a ter que cancelar pedidos, apontou.


