Um grupo de trabalhadores que prestava serviço de instalação e manutenção da rede de água e esgoto da Sanepar em Londrina e Cambé fez ontem de manhã um protesto na frente da estação de tratamento da empresa por causa da falta de acordo com a empreiteira que os contratou.
Segundo o secretário de Política Sindical do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil e do Mobiliário de Londrina, Luiz Afonso Melo, a empreiteira Berton Engenharia e Serviço das Águas Ltda. demitiu todos os 78 funcionários que faziam o serviço para a Sanepar no dia 28 de novembro. Ele informou que até agora a empreiteira não fez o acerto das dívidas trabalhistas.
''No dia 28 a empresa se retirou de Londrina e propôs aos funcionários que assinassem o aviso prévio com data retroativa e quis parcelar o pagamento das dívidas trabalhistas'', diz Melo. O sindicalista afirma que além das verbas recisórias, os trabalhadores têm o salário de novembro e o 13º salário em haver. Ele estima que as dívidas com os funcionários somem R$ 150 mil.
O encanador Nilton Cesar Rodrigues, 32 anos, ex-funcionário da Berton, diz que trabalhou para empreiteira desde o início das atividades da empresa em Londrina. ''Nesse quase um ano, a empresa atrasou nossos salários por três vezes e tivemos que paralisar os trabalhos para receber'', comenta. Ele afirma que não aceitou a proposta de parcelamento feita pela empresa por considerá-la injusta. ''Nós fizemos nossa parte'', comenta.
O gerente metropolitano de receita da Sanepar em Londrina, Oscar Fernandes, afirma que a empreiteira tinha um contrato de prestação de serviço com prazo de 30 meses. ''Mas a empresa teve problemas financeiros e rompeu o contrato com apenas 12 meses'', comentou. Ele afirma que o departamento Jurídico da Sanepar irá analisar se a rescisão do contrato antes do prazo implicará em algum tipo de multa.
Fernandes disse ainda que duas novas empreiteiras já foram contratadas e devem iniciar hoje os trabalhos na rede. ''Provavelmente parte desses trabalhadores seja absorvida pelas novas empresas'', comentou.
A reportagem da Folha entrou em contato com a empreiteira Berto, que tem sede em Cotia (SP), mas o gerente de Recursos Humanos que se identificou como Marcelo preferiu não falar sobre o assunto.
Segundo Melo, na próxima segunda-feira, às 14 horas, funcionários, sindicalistas e representantes da empreiteira devem se reunir na Subdelegacia Regional do Trabalho para tentar um acordo. ''Estamos otimistas, mas caso não se chegue a um acordo iremos acionar a empresa na Justiça'', comentou.

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