Trabalhadores dos Correios pedem mais segurança
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quarta-feira, 23 de março de 2005
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba O assalto de mais uma agência dos Correios em Curitiba levou ontem cerca de 30 trabalhadores para as ruas. Os sindicalistas fizeram um protesto pedindo mais segurança em frente a agência do bairro Vila Hauer, na periferia da cidade. A agência, segundo o Sindicato dos Trabalhadores nos Correios do Paraná (Sintcom), teria sido assaltada seis vezes num prazo de um ano. O último assalto foi na tarde de terça-feira, quando quatro homens armados invadiram a agência, renderam o vigia e exigiram dinheiro dos caixas. Os clientes e os funcionários ficaram sob pressão dos bandidos, que fugiram levando R$ 1,3 mil, relógios, celulares e um carro de um cliente.
Para o secretário-geral do sindicato, Nilson Rodrigues dos Santos, a situação é insustentável. ''Não dá mais para aguentar. Sofremos um assalto por dia no Paraná. O que queremos é segurança para os trabalhadores que estão à mercê dos ladrões'', protestou. Os sindicalistas alegam que desde 2002, quando os Correios passaram a funcionar como banco postal e os clientes começaram a fazer empréstimos e movimentação de contas, os assaltos ficaram mais frequentes. ''Queremos ter a mesma segurança dos bancos privados, nos mesmos moldes'', alertou Santos.
Além de porta giratória com detectores de metal, o sindicato exige que sejam colocadas câmeras em todas as agências para filmar a movimentação dos clientes e suspeitos. Dados apresentados ontem pelo sindicato demonstram que no ano passado ocorreram 700 assaltos a agências dos Correios em todo o Brasil. De janeiro a outubro de 2004, as agências paranaenses teriam sofrido 69 assaltos. A falta de segurança nas agências já levou o Ministério Público (MP) do Trabalho a abrir um inquérito investigativo que está em andamento. Até agora, foi realizada uma audiência pública sobre o tema. Ontem, o MP não soube precisar o andamento do processo investigativo, já que todos os assessores e promotores responsáveis estavam de folga nesta semana.
Santos avisou que o protesto de ontem em frente a agência, que estava fechada, foi pacífico. Entretanto, os protestos podem ser radicalizados. ''Podemos praticar atos mais extremos de protesto para evitar a morte de um companheiro por conta da negligência dos Correios'', sinalizou. De acordo com ele, as agências antes movimentavam dinheiro de selos e correspondências e atualmente trabalhariam com quantias superiores a R$ 50 mil por dia.
A assessoria de imprensa dos Correios informou ontem que a agência da Vila Hauer tem problemas de segurança por causa da criminalidade da região. Os funcionários ontem teriam sido todos liberados do trabalho para exames laboratorias e psicológicos. A assessoria garantiu que todas as 500 agências paranaenses têm sistemas internos de segurança que não são divulgados para evitar que os assaltantes saibam dos dispositivos instalados. A agência, ainda de acordo com a assessoria, será desativada nos próximos dias e passará a funcionar no Shopping Cidade, para garantir mais segurança para os clientes e funcionários.
Os Correios têm números diferentes do sindicato. Segundo a assessoria de imprensa, entre janeiro de 2004 e anteontem foram registrados 54 assaltos no Paraná e 14 arrombamentos. A empresa não considera que tenha que ter os mesmos dispositivos de segurança de um banco por se tratar de uma correspondente bancária, como lotéricas e supermercados.


