Trabalhadores do
sexo têm Passaporte
da Cidadania
Cartilha tratando de direitos, deveres e saúde também vai
funcionar como identidade para travestis e prostitutas
10 mil exemplares da
cartilha vão ser
distribuídos na
Região Metropolitana
Guilherme Vieira

Mauro Frasson
IdentidadeProstitutas e travestis com o ‘passaporte’: apoio no relacionamento com a polícia e dicas sobre saúdeAs pessoas que ganham a vida ‘vendendo o corpo’ - os chamados trabalhadores do sexo - , podem contar desde ontem com mais uma arma de apoio e resgate da condição de cidadão brasileiro. A novidade é o ‘Passaporte da Cidadania’, uma cartilha de 34 páginas tratando de direitos, deveres, saúde e serviços sociais. ‘‘A idéia é que quando o profissional saia às ruas saiba o que é certo e o que é errado, tanto sobre a legislação, como em relação às Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) como a Aids’’, disse a presidente do Grupo Esperança, Marcela Prado, que trabalha essencialmente com travestis.
A partir de hoje, 10 mil exemplares da cartilha começam a ser distribuídos em toda a Região Metropolitana de Curitiba, podendo haver reedição se houver necessidade. ‘‘Queremos que a cartilha seja considerada como um documento pessoal dos trabalhadores sexuais, que muitas vezes saem às ruas sem qualquer identificação’’, explica Toni Reis, coordenador do projeto Arrastão da Vida, desenvolvido pelo Grupo Dignidade com o apoio do Ministério da Saúde e do Banco Mundial.
Segundo Reis, a falta de um documento que identifique quem trabalha na noite acaba prejudicando o relacionamento com a polícia, fazendo com que muitas vezes eles sejam presos ao ser confundidos com marginais. Na área da saúde, Reis acredita que a publicação será útil porque possui informações úteis, como locais onde a assistência médica é gratuita, cuidados ao fazer implantes de silicone e utilizar hormônios, gravidez, amamentação e Aids. Sobre cidadania, a cartilha trata de temas como onde encontrar cursos supletivos e de capacitação profissional, onde fazer documentos e possibilidades de obter renda alternativa.
Na reunião também foi lançado um panfleto para ser distribuído nas imediações da Avenida Rebouças, tradicional ponto de trabalho de travestis. O objetivo da publicação é melhorar a convivência entre moradores, policiais e travestis no local, através da divulgação de algumas normas de conduta.
Aniversário - O evento marcou o aniversário de cinco anos do projeto Arrastão Pela Vida, que é feito com prostitutas e travestis para a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis (DST) e defesa da cidadania. Desde 1993, quando o programa foi lançado, foram realizadas 32.531 abordagens junto a mulheres de programa e 4.580 abordagens a travestis, além da distribuição de 167 mil preservativos. Esse projeto é de responsabilidade do Grupo Dignidade, entidade não governamental criada em 1992, que desenvolve também iniciativas em empresas, escolas e junto a mulheres heterossexuais para evitar a transmissão das DST.
a próxima fase do trabalho do Dignidade vai acontecer através da criação de ‘casas vida’, que serão reuniões em prostíbulos e nas residências de colaboradores fora do expediente dos trabalhadores do sexo, para aprofundar as noções de como evitar as DST. ‘‘Acreditamos que a fase de divulgação mais superficial deve ser substituída agora por abordagens mais profundas que começam a ser feitas a apresentação de vídeos educativos’’, disse Toni Reis.

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