Trabalhadores de usina bloqueiam rodovia
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quarta-feira, 14 de maio de 2008
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
Porecatu - Há dois meses sem receber seus salários, trabalhadores da Usina Central do Paraná, em Porecatu, protestaram ontem, bloqueando a Rodovia João Lunardelli (PR-170) - chega até o trevo dacidade e dá acesso ao Estado de São Paulo. Dezenas de caminhões e automóveis ficaram impedidos, por cerca de uma hora e meia, de passar pela estrada. Apesar da reclamação dos motoristas, ninguém pôde furar o bloqueio. A manifestação continuou em em frente ao pátio da usina até o início da tarde. Dezenas de comerciantes também participaram da manifestação.
A Usina Central é uma das maiores na produção de açúcar e álcool do Norte do Estado. De acordo com Celso Mattos, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Indústrias de Alimentos, a greve completa uma semana hoje e deve continuar até que a empresa apresente alguma proposta de negociação. Cerca de três mil funcionários, moradores de Porecatu e cidades da região, estão sem receber seus pagamentos. O atraso no pagamento dos salários está prejudicando, inclusive, a economia da cidade de 15 mil habitantes.
A maioria dos funcionários que aderiram ao movimento atua no corte de cana, na lavoura e dentro do complexo industrial. Durante a manifestação, os trabalhadores não quiseram falar com os jornalistas temendo algum tipo de ''perseguição'' por parte da empresa. Uma cortadora de cana de 50 anos, que trabalha há cerca de dez na usina disse que já não tem mais o que comer em casa. ''Tem meses que não chego a ganhar R$ 300 reais por mês. Agora, quase três meses sem receber, tenho que comprar fiado, senão ninguém come lá em casa'', reclamou.
''Além do pessoal contratado que está sem receber há dois meses, tem os terceirizados, que são uns 700 trabalhadores que não recebem desde dezembro. Férias e fundo de garantia também estão atrasados'', disse Mattos.
O comércio local também está sentindo queda nas vendas. Na terça-feira as lojas fecharam mais cedo e ontem abriram somente depois das 11 horas. Dezenas de comerciantes participaram do protesto junto aos trabalhadores da usina. Representantes do Conselho de Pastores e Igreja Católica também acompanharam o ato em apoio ao movimento.
A FOLHA não encontrou o presidente da Associação Comercial da cidade, que estava em Presidente Prudente (SP). Mas, de acordo com alguns comerciantes ouvidos pela reportagem, a maioria apóia os grevistas. A comerciante Maria Aparecida Vilas Boas Rizzo disse que a situação é ''grave''. ''Precisamos pagar fornecedores e ao mesmo tempo estamos tendo que sustentar o pessoal que não tem como pagar. A maioria só consegue comprar quando alguém faz fiado'', comentou.


