Curitiba Ontem, no primeiro dia de paralisação de funcionários dos hospitais particulares e filantrópicos de Curitiba e Região Metropolitana se restringiu ao Hospital Universitário Cajuru, pertencente à Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC). Todos os serviços foram mantidos e o atendimento foi normal, de acordo com representantes dos empregados e da direção do hospital.
''O impacto foi mínimo'', disse a diretora geral do hospital, Marilise Brandão, que estima que a greve atingiu apenas 1% dos 1,3 mil funcionários da instituição. Na avaliação do tesoureiro do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos e Serviços de Saúde de Curitiba e Região (Sindesc), Natanael Marchini, a adesão chegou a 5%. Marilise reclamou, no entanto, da decisão do sindicato de colocar faixas em frente às duas entradas do hospital. ''Quem vê, pensa que está tudo fechado'', afirmou. O Cajuru responde por 40% da demanda de emergências na Região Metropolitana, com cerca de 300 atendimentos por dia só no pronto-socorro.
Como trata-se de um serviço considerado essencial à população, por lei o sindicato é obrigado a garantir pelo menos 30% do pessoal em trabalho. O sindicato garantiu que a lei será cumprida e que manterá abertos pelo menos um pronto-socorro e uma maternidade. ''A população não vai ficar desassistida'', garantiu a presidente do Sindesc, Isabel Cristina Gonçalves.
O Sindicato dos Estabelecimentos e Serviços de Saúde do Paraná acredita que a tendência é que a Justiça do Trabalho intervenha em busca de uma solução para o impasse. O maior impasse entre as partes é salarial. Os empregados reivindicam 17% de reajuste e o sindicato patronal só aceitou repor a inflação do ano, de 3,34, pelo INPC. Outra discordância refere-se à jornada de trabalho. Hoje os funcionários têm jornada semanal de 36 horas. Os estabelecimentos propõem aumentar a jornada para o setor administrativo para 44 horas.
O sindicato patronal alega que não tem condições de atender as reivindicações, uma vez que há mais de 10 anos não há reajustes nos pagamentos feitos pelo Sistema Único de Sa© úde (SUS) e a defasagem dos planos de saúde são superiores a 80%. O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) informou que os hospitais da região de Curitiba tiveram aumento de receita acima da inflação em 2005. Segundo o órgão, a arrecadação de ISS, imposto que incide sobre o faturamento das empresas, aumentou 18,44% no segmento de serviços de saúde da capital em 2005. O Dieese informou que os funcionários dos hospitais, por sua vez, estão perdendo poder aquisitivo. O órgão apontou que os trabalhadores acumularam perdas salariais de 28,87% entre 1998 e 2003.
Hoje, a paralisação deve ocorrer nos hospitais Evangélico e Geral do Portão. (Colaborou Fábio Galão)

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