Trabalhadores da FT são recadastrados
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quarta-feira, 26 de julho de 2000
Lino Ramos De Londrina 
Cerca de 800 funcionários da Frente de Trabalho (FT) das secretarias de Educação e Obras de Londrina formaram uma longa fila ontem, desde o início da manhã, para receber o salário do mês e participar do recadastramento determinado pela Secretaria de Recursos Humanos. O recadastramento, que começou terça-feira com o atendimento de trabalhadores lotados na Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) e Autarquia Municipal do Ambiente (AMA), deve ser concluído hoje, com os últimos 500 funcionários da FT, que totaliza 2.155 pessoas. No primeiro dia de atendimento, apenas 35 dos 796 trabalhadores não compareceram.
Segundo o secretário de Recursos Humanos André Victorelli, as ausências não significam a existência de funcionários fantasmas, que recebem mas não trabalham. Elas (as pessoas ausentes) podem estar doentes e não queremos cometer injustiças, disse. Segundo ele, na sexta-feira uma equipe visitará os trabalhadores que não compareceram ao recadastramento, verificando cada caso.
O secretário informou que o recadastramento visa acabar com a especulação sobre a existência de funcionários fantasmas e abrir caminho para a regularização da FT. O custo mensal da FT para a prefeitura é de R$ 640 mil. Segundo Victorelli, 85% da Frente de Trabalho desenvolvem atividades braçais. Mas muitas professoras também foram receber seus salários e se recadastraram. Foi o caso de Helyda Cristina Moreira, 19 anos, que desde janeiro presta serviços no Centro de Educação Infantil Iolanda Salgado Vieira Lima, no Conjunto Alexandre Urbanas (zona leste de Londrina), onde recebe cerca de R$ 320,00 mensais. Ela não se incomodou em esperar. Eu acho válido este tipo de trabalho. Se há fantasmas, é preciso acabar com eles. Não conheço nenhum, mas muitos dizem que têm, disse.
José Parvo de Oliveira, 54 anos, não sabe nem há quantos anos trabalha na FT da Secretaria de Obras só sei que é desde que o Cheida (Luiz Eduardo Cheida) era prefeito e nem o que estava fazendo na fila em frente à prefeitura. Disseram que quem não viesse não ia receber o salário, então eu vim, contou. Segundo ele, para receber os R$ 260,00 com os quais sustenta a mulher e os quatro filhos pequenos, encara qualquer coisa.
Para o Sindicato dos Servidores Municipais (SindServ), a melhor maneira de traçar um perfil da FT seria checar in loco o desempenho dos trabalhadores. Victorelli alegou que a checagem in loco defendida pelo SindServ faz parte do trabalho da Secretaria de Recursos Humanos. (Colaborou Telma Elorza).


