A auditora fiscal e médica do trabalho do Grupo Móvel, Cristina Toniato e Silva, se mostrou surpresa com as condições em que os trabalhadores da Usina Central foram encontrados no campo. Segundo ela, além de não usarem proteção para lidar com os agrotóxicos, os funcionários se alimentavam próximo ao local de aplicação sem qualquer higiene; faziam suas necessidades próximo aos locais onde se alimentavam e lavavam suas roupas em casa, podendo contaminar também outros membros de suas famílias.
''Eles não tinham água para beber, nem para se lavar. Não usavam proteção contra vapores químicos, apenas proteção contra poeira, o que não é suficiente. Eles também não higienizavam as mãos, lidando diretamente os resíduos do veneno''.
Para a médica, a situação é gravíssima e as pessoas estavam correndo risco de vida. ''Isso tem que servir de alerta para os órgãos do Ministério da Saúde da região. Essas pessoas não teriam nem condições de ser atendidas aqui em Porecatu em caso de uma crise por intoxicação'', disse.
Ainda segundo a médica, a exposição constante com o veneno agrícola pode resultar em diversos problemas, entre eles intoxicação e problemas neurológicos. ''Vários deles apresentaram sintomas característicos de intoxicação, como cefaléia e mal-estar súbito, além de doenças provocadas pela exposição aos raios solares. Com todos esses problemas, a empresa não apresentava essas informações nos atestados médicos e nem examinava seus funcionários'', finalizou. (F. B.)

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