Trabalhadores anônimos que fazem a diferença
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quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
Com o alto desenvolvimento intelectual das atividades humanas nas últimas décadas, o conhecimento se tornou uma das características mais valorizadas na sociedade. O potencial de cada um é medido pelo nível escolar adquirido, ou seja, o saber é fundamental para ser respeitado. Diante desse cenário, se torna normal o fato de muitos trabalhadores serem anônimos. São pessoas, em sua maioria, que realizam atividades que não necessitam de um desempenho intelectual, e sim físico, mas fundamental para o bom andamento da cidade. Todavia, sua importância muitas vezes é lembrada quando precisamos de seus serviços ou quando estes estão ausentes.
A reportagem foi atrás de alguns trabalhadores e conheceu a história por trás desses anônimos que fazem a diferença. É o caso do varredor de rua Cledistony da Silva, 28 anos. Oriundo do Ceará há nove anos, veio em busca de oportunidades. Trabalhou como servente, foi gari de caminhão de lixo, e hoje varre as ruas de Londrina. ''É um trabalho puxado, exposto ao vento, sol, frio, mas que faço com muita dedicação. Acredito que minha atividade seja importante, porém é um quebra-galho. Na verdade, todo mundo deveria ter a responsabilidade de contribuir com a limpeza da cidade.''
Durante suas longas caminhadas diárias, ele ficou conhecido e fez algumas amizades. ''Apesar da maioria dos moradores ser educada, infelizmente, ainda há muitas pessoas que nos vêem como empregados deles. Dizem que pagam impostos e, por isso, têm direitos. Nunca deixei de fazer o meu trabalho, mas educação e respeito não fazem mal a ninguém'', desabafa. Contudo, Silva prefere ver o lado bom das coisas. ''Moradores me recebem dentro de suas casas e me oferecem café da manhã. São essas atitudes que me motivam e me fazem acreditar que meu trabalho é importante''
Sem distinção
Também vinda de outra cidade, Maria de Jesus Marciano, 42 anos, trabalha numa escola particular, que atende crianças e adolescentes. Foi seu primeiro emprego há seis anos, quando iniciou como zeladora. Hoje, ocupa o cargo de chefe da mesma função. ''Quando me divorciei, vim para Londrina com meus três filhos. Nunca havia trabalhado fora de casa e foi a primeira oportunidade que tive.'' Ela diz que nunca sofreu algum tipo de preconceito grave por parte dos alunos, mas que fora de lá algumas pessoas fazem comentários. ''Quando digo que tenho funcionárias que são bonitas e jovens, as pessoas acham isso comodismo. Dizem que poderíamos estudar e ter uma profissão melhor.''
Maria se diz feliz com a função que ocupa e muito valorizada na empresa. ''Aqui, não há distinção entre os funcionários. É claro que alguns alunos mais levados acham que estamos aqui para atender suas vontades, já que os pais estão pagando, mas isso é a minoria.'' Ela diz que esse ambiente favorável acontece, em grande parte, pela conduta dos gestores da escola. ''Não me sinto inferior aos professores ou pessoal do administrativo, por exemplo. Por isso, realizo meu trabalho como se fosse pra mim. E, sempre digo aos meus filhos: seja qual o caminham que sigam, façam sempre com dedicação e carinho''
Não menos importante, a história da camareira Dalvina Chacorosque, 59 anos, tem pontos em comum com a de outros trabalhadores. Depois de anos no ramo de confecção, foi trabalhar de camareira num hotel, onde já está há 15 anos. ''Apesar de alguns nem olharem na nossa cara, não deixo de realizar meu trabalho com esmero. Aprendemos a lidar com essas situações, que com o tempo não incomodam mais. Mas, tenho que dizer que um cumprimento, um agradecimento verdadeiro, é muito compensador'', diz.
A camareira por anos sustentou a família com o salário. ''Se pudesse teria estudado mais quando jovem. Porém, não tenho vergonha de dizer que trabalho arrumando e limpando quartos. É um trabalho digno, como qualquer outro.''


