Com as negociações salariais emperradas, motoristas e cobradores do transporte coletivo de Londrina ameaçam deflagrar paralisação. O Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Rodoviário de Londrina (Sinttrol) afirma que a maioria dos 1,2 mil profissionais aprovou a greve. Uma assembléia para votar o indicativo de greve ainda deve ser marcada.
A data-base da categoria vence em junho e até agora, alega o Sinttrol, as empresas e o Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Municipal de Passageiros e de Características de Metropolitano de Londrina (Metrolon) não estão dispostas a negociar. Segundo o presidente do sindicato, João Batista da Silva, a categoria está disposta a aceitar 10% de reajuste dos 16% pedidos inicialmente.
''Em resposta à nossa pauta o Metrolon sugeriu a mudança da data-base para janeiro, por conta do período eleitoral, e implantação do banco de horas, o que os funcionários são contra'', afirma Silva. A categoria pede, ainda, o pagamento de reflexos de horas-extras realizadas entre 1997 e 2000.
Segundo o presidente do Sinttrol, caso as negociações não avancem a categoria vota o indicativo de greve ainda nesta semana. Por lei, a categoria tem que notificar a paralisação com 72 horas de antecedência. ''Nós fizemos uma consulta e a maioria aprovou a greve'', reforça.
A Francovig afirmou, através de sua assessoria que não vai comentar o assunto porque as negociações estão sendo levadas pelo Metrolon. A Transporte Coletivo Grande Londrina (TCGL), cujo diretor-presidente é o presidente do sindicato, também não quis dar entrevista alegando que as negociações estão em andamento.
O impacto da data-base foi uma das principais alegações da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) para conceder o último aumento da tarifa em junho do ano passado. Na época, o reajuste da passagem foi de 18,5%, o mesmo percentual do aumento da categoria. Hoje a tarifa é de R$ 1,60.
Rosimeire Suzuki, que assume oficialmente hoje a presidência da CMTU em virtude da transferência de Wilson Sella para a secretaria de Fazenda, negou ontem qualquer possibilidade de reajuste na tarifa. ''Nós não vemos a planilha em desequilíbrio'', afirmou. Segundo ela, independente do resultado da negociação entre empresas e funcionários nenhum percentual será repassado à tarifa. ''Assinamos esse contrato em janeiro, é muito cedo para reajustes'', reforçou.
A última paralisação de motoristas e cobradores aconteceu em 1998 e durou 10 dias.

mockup