Trabalhador morre ao defender esposa
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terça-feira, 04 de outubro de 2011
Micaela Orikasa <br> Reportagem local 
Na segunda-feira à noite, por volta das 22 horas, um casal estaciona o carro próximo a uma farmácia na Avenida Inglaterra, esquina com a Rua Estados Unidos, no Jardim Igapó (Zona Sul de Londrina). Sueli desce para comprar uma acetona e, poucos minutos depois, presencia o marido Lourival dos Santos Viana, 42 anos, pai de dois filhos, ser esfaqueado e morrer no local.
A ação do assaltante foi rápida. Quando Sueli se aproximava do veículo, ele deu voz de assalto, mas foi impedido por Lourival, que ao perceber o movimento tentou defender a mulher. Os golpes de faca atingiram o coração e o pulmão. O rapaz fugiu em uma bicicleta roubada a poucos metros do local.
''Quando percebi o que havia acontecido, corri para a rua e fui ajudar a esposa, que estava extremamente abalada. Enquanto um casal fazia uma massagem cardíaca na vítima, eu tentei acalmá-la'', conta Valdieni Aparecido de Carvalho, balconista da farmácia. ''Tudo foi muito rápido. Quando eu vi, o homem estava agonizando e estava perdendo muito sangue. Naquele momento, revivi o dia em que socorri meu filho de um acidente de carro. Ele morreu nos meus braços e, por isso, posso imaginar a dor que a esposa está sentindo'', revela.
Segundo o irmão da vítima, Lourival era um excelente trabalhador e pai de família. Ele trabalhava como auxiliar geral de uma fábrica. Abalada, Sueli preferiu não comentar o ocorrido.
Assustados
Para o comerciante Cláudio José Dourado, proprietário há nove anos de uma panificadora que fica a poucos metros do local do crime, existe um clima de insegurança no bairro. ''Se tivesse um módulo policial, acho que iria inibir bastante os assaltantes. Está todo mundo assustado com o que aconteceu'', diz ele, que já foi assaltado duas vezes à mão armada.
O segurança de uma lotérica, Márcio Wellington Piedade, conta que os assaltos são constantes. Em um ano e meio no estabelecimento, ele já presenciou dois roubos à mão armada. ''Não tem como falar que é seguro'', comenta.
A moradora Nadir Correa, que reside há 27 anos na Avenida Inglaterra diz que a região anda bem perigosa. ''Ultimamente me sinto segura só dentro de casa. Dificilmente eu ando por aqui à noite'', observa.
De acordo com o capitão Ricardo Eguedis, porta-voz da Polícia Militar, ainda não há confirmação se o assaltante estava acompanhado. ''Temos a descrição do rapaz e pela declaração da esposa, aparentava ser um adolescente. Se alguém da comunidade tiver alguma informação deve denunciar através do 181'', ressalta, ao recomendar também que as pessoas não reajam em uma situação dessa.
Ele garante que as rondas policiais serão intensificadas nas redondezas e que há um planejamento estadual para adquirir e implantar novos módulos móveis policiais. ''Londrina está dentro deste plano, porém ainda não há previsão'', diz.
O sepultamento ocorreu no final da tarde de ontem, no Cemitério Jardim da Saudade, na Zona Norte.


