O trabalhador rural Valdemar Venâncio, 45 anos, está internado em um hospital de Amabai, no Mato Grosso do Sul (170 quilômetros da divisa com o Paraná), em estado de inanição. Ele e familiares atribuem a intoxicação que teria sofrido em uma fazenda de propriedade de Salazar Barreiros, prefeito de Cascavel. O atendimento médico é custeado por parentes, segundo a mulher de Valdemar, Dirce Venâncio, 32 anos. O caso foi comunicado pelo radialista e vereador Sebastião Prado (PL), de Amambai, segundo o qual o trabalhador está ‘‘morrendo abandonado’’.
Venâncio afirma que trabalhou até há dois meses na Fazenda Cruzeiro do Sul, quando foi encarregado de aplicar um produto veterinário com o princípio ativo ivermectina para combate a carrapatos. O produto teria caído sobre seu corpo, provocando a intoxicação.
‘‘Foi depois disso que começaram as dores de cabeça e o vômito’’, relata Venâncio, que insiste na versão de que o produto é a causa da doença. O médico José Luiz Saldanha, da Santa Casa de Saúde Divina Providência, não descarta a possibilidade, mas não pode confirmá-la.
Uma endoscopia realizada em Dourados (MS) indicou tratar-se de uma gastrite. ‘‘Mas aqui não conseguimos confirmar isso’’, relata o médico, acrescentando que nunca tratou de intoxicação causada pela ivermectina. O médico disse que o trabalhador não aceita alimentos. Por isso, está em estado de inanição. Em Cascavel, Cassius Barreiros, filho de Salazar Barreiros e chefe de gabinete, disse que o trabalhador ‘‘foi assistido e trazido para o Hospital Regional de Cascavel, onde também foi descartada a possibilidade de intoxicação’’.
O veterinário Luiz Carlos Nadal, coordenador regional de uma empresa distribuidora de produto à base de ivermectina, afirma que em 15 anos de sua colocação no mercado nunca foram observadas intoxicações em animais. ‘‘As doses utilizadas podem ser excedidas em até 200 vezes, sem riscos concretos’’. Nadal também relata que o princípio ativo é utilizado até para tratar parasitas em pessoas. ‘Por isso, a possibilidade do produto ter causado intoxicação em Valdemar Venâncio é totalmente descartada’’.

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