Santa Isabel do Ivaí - Dos quatro bebês com toxoplasmose congênita (adquirida pela mãe na gravidez) dois estão com sérias lesões nos olhos que podem comprometer a visão. O diagnóstico foi feito pelo médico oftalmologista, especialista em toxoplasmose, Cláudio Silveira, que desde sexta-feira realiza exames em Santa Isabel do Ivaí (92 km de Paranavaí). Mais de 300 casos foram confirmados na cidade, desde o início do surto, em dezembro do ano passado.
Outros dois bebês estão em tratamento – que será contínuo por um ano – para reduzir a lesão. Segundo Silveira, a situação dos dois bebês com lesões graves se complicou porque o protozoário causador da toxoplasmose se instalou na parte central dos olhos. Por causa disso, as crianças em fase adulta não irão enxergar nitidamente e terão dificuldades para leitura. Não há tratamento médico para reverter a situação.
Silveira está na cidade junto com a também especialista Cristina Muccioli, ambos integrantes da Escola Paulista de Medicina. Cristina é de São Paulo e Silveira de Erechim (RS). Nesta cidade gaúcha, a toxoplasmose é considerada endêmica (constante) e provocou nos últimos 30 anos mais de 10 mil casos de lesão ocular. O médico lembra que em Erechim a toxoplasmose é causada pelo consumo de carne contaminada, enquanto que em Santa Isabel do Ivaí, a fonte de contaminação foi a água.
Por causa desta diferença, o médico afirma que será possível fazer uma pesquisa sobre a manifestação da toxoplasmose no ser humano pelos consumos de água e carne. Em Erechim, pelo menos 20% dos infectados apresentam problemas oculares. Até agora, em Santa Isabel do Ivaí, o índice de lesão ocular é de 8%.
Segundo Silveira, a literatura médica mundial sobre a toxoplasmose foi reescrita a partir dos trabalhos realizados no Brasil. ‘‘Durante 50 anos, a comunidade científica mostrava problemas da toxoplasmose somente em mulheres grávidas, mas a partir de estudos brasileiros verificaram os danos que a doença provoca na visão’’, afirma Silveira.

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