Totens não têm viatura policial
Marcelo AlmeidaPolicial ao lado do totem: Se houver um assalto, não temos como ir atrás dos assaltantes. Nunca vamos pegar os bandidosAo contrário da proposta inicial, a população de Curitiba não encontra um veículo da Polícia Militar de forma permanente junto a todos os totens instalados na capital. Soldados, que não querem ser identificados por medo de serem presos no Quartel do Comando Central, afirmam que trabalham em pé nesses locais durante 12 horas, que vão ao posto de serviço com carro particular e que, em determinados casos, os veículos da polícia demoram até 45 minutos quando chamados.
O comandante do Policiamento da Capital, coronel Justino Henrique Sampaio Filho, afirmou que todos os totens já instalados - 88 segundo ele - têm uma viatura vinculada. Mas os carros não ficam parados o tempo todo, disse Sampaio. O sentido é exatamente este, o de circular pela região pela qual o pessoal da viatura é responsável, explicou. Não teria sentido quase 90 viaturas paradas, afirmou, contrariando a proposta anunciada no lançamento do projeto. Segundo o coronel, nos momentos em que os carros não estão junto aos totens, eles estão no atendimento às ocorrências.
A Folha esteve ontem em três totens. Em dois deles, nos bairros Boa Vista e Santa Cândida, verificavam-se situações diferentes das anunciadas por Sampaio. Simplesmente não havia as viaturas, segundo os soldados que lá trabalhavam. Um deles confessou que foi trabalhar com o próprio veículo. O outro não tem carro, mas estava armado com dois revólveres, um deles no bolso esquerdo da calça.
O frentista César Correia, 20 anos, confirmou o que disseram os policiais. Ele disse que há pelo menos duas semanas não aparece uma viatura no totem do bairro Boa Vista, que, aliás, não está funcionando. Antes, quando tinha a viatura, a gente se sentia mais seguro, disse Correia. Hoje, se houver um assalto, o policial não tem como ir atrás dos assaltantes. Nunca vai pegar os bandidos.
Os soldados também reclamaram da situação a que estão relegados. Ambos disseram que estavam ali apenas para chamar uma viatura, caso um cidadão precisasse. Não podemos nem atender a ocorrência, disse um deles. A gente acaba se sentido inútil, afirmou o outro. Durante as 12 horas de trabalho no plantão, é com o banheiro de um posto de gasolina que os dois contam quando precisam.
O carro da polícia só foi encontrado no terceiro totem visitado, o da avenida João Gualberto. (J.A.)





