Total da dívida chega a R$ 26 mil
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quinta-feira, 05 de junho de 1997
Da Redação 
A dívida dos assentados do Olímpico 2 com a Sanepar está em aproximadamente R$ 26 mil - sendo cerca de R$ 18 mil só dos cavaletes comunitários e o restante, quase R$ 9 mil, de 47 cavaletes individuais. Somando todos os assentamentos endividados com a Sanepar a conta, de acordo com cálculos da Federação das Favelas, sobe para cerca de R$ 147 mil.
Chegamos a uma situação insustentável, analisa o gerente metropolitano da Sanepar em Londrina, engenheiro Paulo Kishima. O consumo dos 10 cavaletes comunitários, segundo ele, nunca foi pago desde que as primeiras famílias foram para o local. Se ninguém vier negociar, vamos retirar todos esses cavaletes hoje, ameaça o engenheiro.
Kishima se diz aberto para um acordo. Ele reclama que nenhum representante dos assentados procurou a Sanepar para tratar do assunto. Kishima espera uma proposta dos próprios moradores. Mas que façam isso humildemente como fizeram quando vieram pedir para ligar a água no começo do assentamento, condiciona.
Kishima afirma que os moradores não apareceram para receber o benefício legal da suspensão do pagamento da água. Não posso aplicar a lei porque eles não trazem os documentos necessários, comprovando a condição de desempregados.
Kishima discorda que a tarifa cobrada seja alta. Ele explica que tarifa social é benefício de consumidores carentes que gastam até 10 metros cúbicos de água ao mês. A tarifa social é de R$ 2,95 enquanto a normal, para os mesmos 10 metros cúbicos é de R$ 7,21.
Dez metros cúbicos de água, nos cálculos de Kishima, são suficientes para manter tranquilamente uma casa pequena. Ele compara um consumo de R$ 70,00, como é o caso da assentada Benedita de Souza Sossai, ao de uma grande casa com um vazamento volumoso.
Dados da Sanepar revelam que 40% da população londrinense se beneficia da tarifa social. Esse alto consumo ocorre porque existe muito desperdício nesses assentamentos. As torneiras ficam abertas sempre e se rompe uma mangueira, fica vazando. Ninguém se incomoda, porque não vão pagar mesmo, diz. Sei que água é essencial, mas precisamos agir com a razão.
(Edmara Michetti)


