A empresa estatal Furnas Centrais Elétricas, responsável pela distribuição da maior parte da energia produzida no Brasil, decidiu reforçar as torres que estão sendo instaladas na terceira linha de transmissão de Itaipu com o objetivo de evitar quedas como as ocorridas em novembro do ano passado e abril deste ano. A nova linha deverá entrar em operação em duas etapas: setembro deste ano e julho de 99.
No dia 2 de novembro do ano passado, um vendaval derrubou 10 torres de transmissão no município de Vera Cruz do Oeste (52 km a oeste de Cascavel). Cinco meses depois, em 6 de abril último, novo vendaval derrubou outras sete torres, desta vez no município de Campina da Lagoa (100 km ao sul de Campo Mourão). Os acidentes provocaram racionamento de energia no Sul, Sudeste e Centro-Oeste do País.
‘‘Constatamos que a região é propícia à ocorrência de tornados’’, explica o engenheiro José Maurício Zaroni, chefe de Produção de Furnas para o Paraná. De acordo com estudos da estatal, no trecho paranaense cortado pelas linhas de transmissão ocorrem ventos de alta velocidade (até superiores a 150 quilômetros por hora), o que provoca pequenos tornados de curta duração.
Parte das torres que estão sendo instaladas na terceira linha de transmissão tem a estrutura, de ferro fundido, reforçada. Segundo Zaroni, as duas linhas hoje em operação foram projetadas para suportar ventos de até 150 quilômetros por hora e, na terceira, essa capacidade será de até 190 quilômetros por hora.
A estrutura dessas novas torres foi avaliada no campo de testes de Furnas em Ivaiporã (110 km ao sul de Apucarana). Dependendo do terreno onde são implantadas, as torres têm entre 37,5 e 52,5 metros de altura.
A primeira fase da construção da nova linha foi iniciada em novembro do ano passado, no trecho de 360 quilômetros entre a hidrelétrica e a subestação de Furnas em Ivaiporã. A previsão de conclusão dessa etapa, que está sendo executada por três empreiteiras, é dezembro deste ano.
As obras da segunda fase - entre Ivaiporã e a subestação de Tijuco Preto, em Mogi das Cruzes (Grande São Paulo) - ainda não começaram. Segundo Zaroni, a previsão de conclusão é julho do próximo ano. O custo total é estimado em R$ 400 milhões.
Atualmente, duas linhas transportam a energia gerada em Itaipu - uma em corrente alternada e outra em corrente contínua. A terceira linha será em corrente alternada. Além de oferecer mais segurança contra cortes no fornecimento em caso de acidentes, a nova linha será necessária para o transporte da energia produzida pelas duas novas turbinas que serão instaladas em Itaipu até o ano 2001. Hoje, Itaipu produz 30% da energia consumida no Brasil e opera com 18 turbinas.

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