Assaí Moradores de Assaí reclamam da torre de uma operadora celular. Eles afirmam que o equipamento tem atraído raios, causando danos em eletrodomésticos. A diretoria da empresa disse já ter conhecimento das reclamações e anuncia que vai mudar a torre para um novo local.
Proprietário de uma auto-escola localizada nas proximidades da torre, Leandro Leone Paes disse que já sofreu danos na antena parabólica, televisão, computador, telefone e PABX. O corretor de imóveis Antônio de Moraes Garcia também reclama dos equipamentos queimados. ''Foram três vezes nos últimos quatro anos'', afirmou. Dono do terreno locado pela operadora TIM para funcionamento da torre, ele não vê relação entre os acidentes e o pára-raios da empresa, mas pediu à operadora que desocupe o local. ''Quero construir no terreno'', justificou.
Quem também se diz prejudicado é o médico Oswaldo Kazushyue Yano, que criava canários. Ele conta que, após uma tempestadade em setembro de 2002, 600 canários morreram de uma só vez. No mês seguinte à intempérie, os outros animais do plantel que totalizava quase mil pássaros faleceram gradativamente. Ele suspeita que as mortes tenham sido causadas por um raio atraído pela torre.
''O estrondo arrebentou o tímpano dos pássaros'', disse ele, que realizou exames de fezes e bacteroscopia nos animais para descartar a hipótese de doenças. Com prejuízo acumulado de U$ 60 mil, ele entrou com ação judicial de antecipação de provas que pede a realização de uma perícia para informar a potência da torre e a força ôhmica do pára-raios. Sua intenção é comprovar a relação entre a instalação e as mortes dos bichos para, então, propor ação de indenização contra a TIM. Até agora, não há provas que atestem a ligação entre o pára-raios e o óbito dos canários.
Como a operadora vai mudar a torre de local, ele quer que a perícia seja feita brevemente. Apesar de a Justiça já ter determinado um perito, ele não aceitou a indicação por causa do preço cobrado pelo serviço: R$ 28 mil. ''Estou esperando a Justiça determinar outro profissional'', contou.
O médico revelou que após a instalação da torre, em 2000, a produção de canários caiu 90%. Segundo ele, os pássaros apresentavam problema de fertilidade, com postura de ovos que não vingavam. Seus pássaros já receberam títulos de campeões brasileiro e mundial, além da liderança em oito concursos da Sociedade Ornitológica Londrinense (SOL). ''Por causa das mortes, parei de criar'', lamentou.
O diretor de assuntos corporativos da TIM, José Doroteu Fabro, informou que a empresa já tem conhecimento das reclamações e vai mudar a torre para um novo local até o final de fevereiro do ano que vem. A mudança tem o objetivo principal de melhorar o sinal da operadora no município, mas também visa a manutenção de um bom relacionamento com a comunidade. ''Como já íamos mudar, não levamos a discussão adiante'', disse.
Moradora vizinha ao novo terreno que sediará a torre, a advogada Andréa Bernabel Furlan desaprovou a decisão da operadora. ''Eles só vão transferir o problema'', criticou. Ela denunciou a TIM ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP), alegando que a área é residencial e rochosa, o que impediria o correto aterramento do pára-raios.
O chefe regional do IAP em Cornélio Procópio, José Mariano de Macedo, informou que recebeu a denúncia e enviou um fiscal ao local. Legalmente, entretanto, o órgão não pode tomar nehuma atitude porque o licenciamento ambiental não é documento obrigatório para a instalação de torres de telefonia celular.

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