Os moradores dos Jardins Santa Joana e Cristal, na zona sul da cidade, estão ficando sem água das oito às 21 horas. ‘‘As torneiras simplesmente secam e a gente fica na dependência das caixas d’água. A água só volta à noite’’, contam. A situação obriga os moradores a racionarem o consumo e a usarem bacias e baldes na tentativa de minimizar as dificuldades.
‘‘Chegamos a pedir que alguém da empresa viesse explicar os motivos e apontar soluções, mas não veio ninguém’’, afirma a dona-de-casa Aparecida Franco Cardoso. Segundo ela, os funcionários questionados respondem que a comunidade do bairro gasta muita água. ‘‘Um funcionário disse que eu deveria lavar roupa à noite’’, afirma, indignada.
Quem tem filho pequeno, diz, sofre ainda mais, porque não tem como lavar as fraldas e acaba enfrentando dificuldades para garantir a alimentação e higiene da criança. ‘‘As famílias são grandes e mesmo contando com uma caixa d’água, o volume é insuficiente para atender às necessidades do dia-a-dia’’, garante Aparecida Cardoso.
Ela conta que a situação se agravou no início do ano. ‘‘Antes a gente sofria com a falta de água, mas não era tão grave. Agora nossa situação é de desespero. Até no dia de Natal não tivemos água’’. Maria José Romanino não tem filhos pequenos, mas enfrenta dificuldades para trabalhar por causa da falta de água. Ela vende leite e, frequentemente, não tem tempo nem de lavar os vasilhames utilizados, que ficam esperando até a noite para serem limpos.
O superintendente regional da Sanepar de Londrina, Paulo Kishima, informou ontem que conhece o problema destes bairros. Ele explicou que a falta de água na região é resultado do grande crescimento da região sul. ‘‘A capacidade de transporte de água da rede que abastece a região é pequena para a demanda’’, justifica. A readequação dos anéis, que vão possibilitar o aumento do fornecimento de água, está previsto para o ano que vem.
A estação Tibagi, que fornece água para a região, está com problemas desde agosto, agravando o problema. A estação deixa de bombear cerca de 15 mil litros de água por hora, volume suficiente para atender 30 mil famílias com um consumo médio de 500 metros cúbicos por dia. O conserto da estação está programado para a segunda quinzena de janeiro e, segundo Kishima, vai amenizar sensivelmente a falta de água no Santa Joana e Cristal.
(Célia Baroni)

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