Torneira sem água incomoda muita gente
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quarta-feira, 25 de outubro de 2006
Guilherme Borges<br>Reportagem Local 
Os clientes de Vera Lucia Teodoro Santos não ficaram sem refeição na última terça-feira, apesar da falta de água no restaurante. O estabelecimento, que fica no distrito rural de São Luis, precisou de uma ajuda extra. ''Saímos correndo atrás dos vizinhos que têm caixa d'agua maior que a nossa. Mesmo assim foi difícil, viu?'', confessa a proprietária.
Segundo a assessoria de comunicação da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), em Londrina, não é possível precisar quantas paralisações no sistema de abastecimento de água foram realizadas este ano, mas de acordo com um levantamento feito pela Folha, foram dez desligamentos em bairros e distritos rurais do município, em 2006.
Cada vez que o abastecimento é interrompido, as torneiras ficam secas por até 12 horas. ''Os desligamentos são para melhoria. Estamos trabalhando em 42 km de remanejamento de rede e nove km de anéis que vão interligar cinco grandes reservatórios do município'', argumenta o gerente metropolitano da empresa, Sérgio Bahls.
Mesmo sabendo que é para melhoria, a dona-de-casa, Luzia Bento, moradora do Jardim Interlagos (Zona Leste), sabe bem o que significa a falta de água nas torneiras. Este ano, ela já passou pela situação duas vezes. ''A gente fica em apuros. Ainda mais eu que não tenho caixa d'agua em casa'', ressalta. Das tarefas domésticas, ela diz que a lavagem das roupas foi a menos prejudicada. ''O duro é que dá até uma preguiça na gente, né? Não dá para fazer nada direito'', justifica, em tom de brincadeira.
Para a doceira Isabela Martins, moradora da gleba Palhano (Zona Sul), com a falta d'agua, ''o pior é sujar a mão e não poder lavar''. Em 2006, também foram duas paralisações na residência dela. ''Meus filhos tiveram que tomar banho no vestiário do condomínio'', lembra.
Bahls destaca que em Londrina e Cambé existem 21 reservatórios de água, além dos 17 distribuídos nos distritos rurais, e que anualmente todos eles precisam ser limpos. ''Infelizmente, as pessoas que estão mais na periferia do município, distantes dos reservatórios grandes, acabam sofrendo mais com as paralisações, mas de qualquer forma, toda residência é obrigada a ter uma caixa d'agua'', ressalta.
Para cada desligamento e limpeza, ele garante que há cerca de 6% de perda de água. O professor do Departamento de Construção Civil, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Fernando Fernandes, analisa que esta quantidade é natural, pois os filtros precisam ser cuidados com água limpa. ''O que precisamos analisar é a perda em vazamentos rotineiros. Além disto, toda manutenção pode ser planejada e mais que isto, o próprio saneamento poderia estar melhor integrado ao planejamento urbano do município'', sugere.
Aquífero - O gerente da Sanepar argumenta ainda que o serviço de manutenção do sistema de abastecimento de água de Londrina é realizado dentro das normas técnicas e tem desempenho considerado dentro da normalidade. ''O que estamos fazendo é interligar os cinco grandes reservatórios agora, e futuramente os dois poços perfurados no aquífero Guarani, que estão abertos na Zona Norte'', explica.
Atualmente, a água de Londrina é proveniente das captações feitas no rio Tibagi e ribeirão Cafezal. Segundo a assessoria de comunicação da Sanepar, os poços abertos no Guarani estão apenas sendo avaliados. A intenção é integrá-los ao sistema, mas isto só deve acontecer nos próximos anos, pois é preciso dinheiro para a obra.


