Um tornado atingiu a zona Leste de Londrina ontem, com ventos de até 92 quilômetros por hora num período de três minutos - de acordo com o meteorologista Rogério do Amaral Varela, da Infraero. O mecânico Célio Feniman, 50 anos, sofreu ferimentos leves com a queda de uma árvore sobre a sua oficina, na Rua Jaú, no Jardim Califórnia.
No segundo dia consecutivo de chuva e ventos fortes na cidade, uma das áreas mais prejudicadas foi a do Jardim Califórnia, que até as 20 horas continuava com a maioria das casas sem energia elétrica. Árvores caídas, casas destelhadas e ruas alagadas fizeram parte do cenário do bairro. A passagem do tornado foi rápida, mas o temporal durou cerca de meia hora, começando por volta das 15 horas.
O caminhão Puma 914 de Edson Luiz Caram, 51 anos, que estava estacionado em frente à sua casa, na Rua Allan Kardec, 216, foi atingido por uma árvore, totalmente arrancada da calçada com a força do vento. ''Ainda não avaliei o prejuízo e é duro começar o ano com o pé enfiado no barro...'', lamentou Caram. A cabine, feita de fibra de vidro, ficou destruída: ''É como se um cofre tivesse caído em cima de um carro'', comentou. Antes do incidente, o caminhão estava avaliado em R$ 40 mil e não tinha seguro.
A dona de casa Carmelita Lídia Barreiros, 77 anos, que mora na Rua Comandante Ismael Guilherme, também ficou assustada com o que viu. ''Foi horrível e a rua parecia um rio'', afirmou. Já na residência da dona de casa Dirce Ferreira da Silva, 56 anos, que mora na esquina da rua, o vento destruiu o beiral do telhado.
Maria Aparecida dos Santos, 34 anos, moradora do bairro na Rua Tertuliano, estava vendo televisão com o filho Paulo Henrique, 3 anos, quando o temporal começou. ''Fiquei assustada porque começou a entrar muita água para dentro da casa e o meu filho começou a gritar'', lembrou. Pouco tempo depois, a árvore plantada na sua calçada foi arrancada, ao mesmo tempo que dava um curto-circuito em um fio de alta tensão.
Na Favela Santa Inês, também na região leste, os transtornos foram grandes. As ruas não têm asfalto e barro invadiu as casas. ''É uma ribanceira, e esses dias quase que uma criança morreu afogada ao ser carregada pela água'', contou um dos moradores. A casa de Ana Moraes Galvão, 75 anos, ficou totalmente alagada com água barrenta.

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