Um tornado atingiu no final da tarde de anteontem a Cidade Nova, bairro da zona norte de Foz do Iguaçu que abriga ex-moradores de favela, destelhando 24 casas, ferindo pelo menos três pessoas e provocando um blecaute de quatro horas na região. Segundo o departamento de Metereologia do Aeroporto Internacional de Foz, o fenômeno foi localizado. A velocidade máxima do vento registrada às 18 horas, na estação de medição, chegou a apenas 26 quilômetros por hora.
Foi o segundo tornado a atingir a cidade em menos de uma semana. Na sexta-feira, cerca de 60 casas foram destelhadas no Jardim Curitibano 4 (zona norte). Segundo as vítimas, o fenônemo durou poucos minutos, mas impressionou pela intensidade.
‘‘Quando fomos perceber o telhado e os vidros das janelas já estavam destruídos’’, contou o pedreiro Valdevino da Silva, 34 anos. Os seus três filhos sofreram ferimentos: Juliano, 10 anos, e Jéssica, 4 anos, tiveram as cabeças feridas por estilhaços, e Daniela, 3 anos, atingida no braço, enquanto dormia, por uma telha de amianto. Atendidos na Santa Casa, as três crianças foram liberadas em seguida.
Há seis meses morando em um barraco improvisado, o casal Sílvio Dalvo, 41 anos, e Terezinha Pereira dos Santos, 47 anos, passaria a noite dentro da casa que estão contruindo. ‘‘Apesar do teto, teremos que dormir no chão batido’’, lamentava Dalvo, que durante o dia tem que se retirar do interior da construção para que as obras continuem.
Sem poder trabalhar devido a ferimentos provocados por um acidente, o servente de pedreiro avaliou os prejuízos em torno de R$ 400,00. ‘‘Perdi todos os móveis. Meu barraco está no chão e eu não sei o que fazer.’’ Segundo Dalvo, telhas e vigas de madeira da casa vizinha voaram com a força dos ventos.
A Defesa Civil distribuiu cerca de 70 metros de lona plástica. Hoje, a Secretaria Municipal de Ação Social deve doar telhas de amianto para os desabrigados. Ontem, uma equipe do órgão foi ao local fazer um levantamento sobre os prejuízos e as necessidades das vítimas. No tornado da sexta-feira, os desabrigados receberam alimentos e um total de 700 telhas de amianto.

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