Torcida invade campo e acompanha os pênaltis
Torcida invade campo
e acompanha os pênaltis
O prefeito José Dal PontOs torcedores que acompanham a Copa Coamo são um espetáculo à parte. Eles chegam a partir das 8 horas, quando acontecem os primeiros jogos, e só saem no fim da tarde, quando já está escurecendo. É uma festa que só acontece a cada dois anos. Como não existem arquibancadas, cada um se vira como pode. Mas ninguém deixa de acompanhar os jogos até porque quem está em campo geralmente são pais, maridos, filhos e irmãos dos torcedores. Estou aqui desde o primeiro jogo, disse a dona-de-casa Neusa Mahinic, 37, que acompanhou todos os lances da beira do gramado. Ela foi torcer para o marido, José Marantin, 34, que tem um sítio de 70 alqueires no patrimônio de Sussuí e é cooperado da Coamo há 10 anos. Neusa, no entanto, não deu sorte. O time de Marantin, o Estrada 5, caiu fora logo na primeira fase. Se serve de consolo, isso já aconteceu até com o Brasil de Pelé, na Copa de 1966.
Mesmo com o maridão desclassificado, Neusa não desistiu de acompanhar os jogos. Está divertido, disse. Diversão, aliás, é tudo o que se pode esperar das partidas. Jogadores usando botinas ao invés de chuteiras já não se vê com tanta facilidade, mas a categoria dos atletas continua a mesma. A máxima bola para o mato que o jogo é de campeonato parece ser o lema da competição. Mas se o zagueiro Odvan, da seleção brasileira, pode...
Bota a bola no chão, grita, desesperado, o goleiro Ouvides Parolin, 33, do Sussuí, ao ver seu time, literalmente, batendo cabeça com a bola no alto. Cooperado há 6 anos e já com quatro participações da Copa Coamo, Parolin conseguiu fechar o gol, o que garantiu um empate de 0 a 0 entre Sussuí e Pedra Branca. Foi um jogo difícil (de assistir também), mas o empate classificou o Sussuí, que acabou derrotado na final pelo Ivailândia por 1 a 0.
Quando Malu e Ivailândia entraram em campo, o empate não servia para ninguém. Mesmo assim, o placar insistiu em não sair do 0 a 0. Também com um gol pequeno daquele jeito! A partida teve que ir para os pênaltis para alegria da torcida que invade o campo para acompanhar as cobranças bem de pertinho. Vitória do Ivailândia, que acabou ficando com o título em Engenheiro Beltrão e vai à final, em Campo Mourão.
A derrota nos pênaltis, no entanto, não abalou os agricultores do Malu. O argentino Palermo, que conseguiu perder três pênaltis num só jogo, serviu de consolo para o time todo. A próxima regional será disputada dia 24, no Oeste do Estado. Até setembro, quando tudo acabar, mais de 7 mil cooperados, entre atletas e dirigentes, terão participado da competição, movimentando mais de 22 mil pessoas. E a Fifa que abra os olhos!
A Copa Coamo se tornou um evento indispensável dentro da programação da cooperativa, diz o presidente da Coamo José Aroldo Gallassini. Segundo ele, o evento desenvolve no cooperado o espírito solidário e se torna uma grande confraternização. Briga em campo? Nem pensar. Na edição de 1997 foram apenas 4 expulsões em 636 jogos. (S.S.)





