O clima de Copa do Mundo que começa a tomar conta das ruas anuncia as fortes emoções que invadem o País a cada quatro anos. Tanta adrenalina, porém, pode se transformar em um risco: o de corações malcuidados ou com doenças ainda ignoradas sucumbirem em uma das disputas. Para evitar surpresas que não sejam as proporcionadas em campo, prevenção e prudência são as principais recomendações.
O cardiologista londrinense Marco Antonio Fabiani explica que o sistema nervoso autônomo, que comanda todas as nossas reações, funciona por meio dos mecanismos simpático e parassimpático. No caso do sistema simpático, o mediador é a adrenalina, que na pré-história servia para nos preparar para situações de ataque ou fuga. Ela age aumentando a frequência cardíaca, provocando vasoconstrição (diminuição do calibre dos vasos sanguíneos) e dilatando os brônquios. São as chamadas reações adrenérgicas, estimuladas por emoções intensas.
Já no sistema parassimpático, segundo Fabiani, quem atua é a acetilcolina, que age de forma contrária à adrenalina. ''Essas duas substâncias atuam no músculo cardíaco, uma compensando a outra. Mas existem condições patológicas, chamadas desautonomias, em que a pessoa não tem este mecanismo compensatório, e um estímulo adrenérgico muito forte (como uma grande emoção) pode causar um evento grave.'' Entre esses problemas, que em determinados casos podem ser fatais, estão a arritmia, infarto e angina instável.
Estatisticamente, os homens estão mais sujeitos às desautonomias que as mulheres. Por isso o médico recomenda que um homem adulto, depois de completar 40 anos, precisa passar por avaliação clínica anual dos fatores de risco. ''A partir desses exames é possível afastar o perigo de cardiopatias escondidas e promover um tratamento adequado, preparando a pessoa para as emoções mais fortes'', aponta o cardiologista.
Fabiani ressalta que o perigo está nos homens que não fazem acompanhamento médico e ainda abusam de fatores estimulantes da adrenalina, como álcool e tabagismo. ''No Brasil a torcida em jogos de futebol está muito associada à ingestão de bebida alcoólica'', observa. Ele recomenda que, além de não fumar e evitar bebidas em excesso, sejam excluídas das refeições anteriores aos jogos os alimentos muito gordurosos e de difícil digestão.
O médico alerta ainda que, nos dias mais frios - que coincidem com o período das competições da Copa -, as crises causadas por doenças circulatórias são mais comuns por causa da vasoconstrição. ''Artérias microscópicas diminuem ainda mais de calibre para preservar o calor, aumentando a pressão arterial e tornando mais frequentes os casos de AVC (Acidente Vascular Cerebral), crises hipertensivas e infartos'', esclarece.

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