Curitiba – Depois de uma noite mal dormida, tudo que Januária menos poderia desejar era ver a Seleção Brasileira sofrendo para ganhar da Turquia. Assistir a um jogo do Brasil às 6 horas da manhã não estava mesmo nos seus planos, mas não houve outro jeito.
Ao dormir, Januária colocou o despertador para as 7 horas, horário que sempre se levanta para ir ao trabalho. Mas o pesadelo começou às 5 horas, quando um vizinho sem senso de oportunidade começou a tocar insistentemente uma corneta. Januária virou para o lado e tentou, em vão, voltar a dormir.
Foi inútil. Não é que outros vizinhos, mais desalmados ainda, insistiam em mantê-la acordada com fogos de artifício? Maldizendo os coreanos e japoneses, que levaram a Copa do Mundo para tão longe, Januária tentava contar carneirinhos. Em vão também, pois tudo o que lhe vinha a mente eram inúmeros Ronaldos e Ronaldinhos correndo atrás da bola. Outro pensamento também a afligia muito. ‘‘E quando o jogo for às 3h30 da manhã?’’
Às 6 horas, então, foi impossível fingir que nada acontecia. Todos os vizinhos do prédio organizaram um complô contra o sono de Januária. O do apartamento ao lado gritava para o Rivaldo segurar mais a bola. O escandaloso de baixo berrava para o Marcos não ficar adiantado no gol. Mas o pior era a vendedora de jogo do bicho do apartamento de cima, que a cada ataque do Brasil gritava histérica que era gol.
Ao desistir do sono, Januária se rendeu e ligou a tevê. Que arrependimento! Ela, que pouco entende de futebol, sabia o suficiente para perceber que a seleção não tem muito futuro do jeito que está. Quando o jogo terminou, saiu para o trabalho decidida a torcer para o Senegal ganhar o campeonato mundial.

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