Edson GuittiDemocráticosA equipe (a partir da esq.): Borges, Costa, Fabretti, Eli Silva, Sérgio Guilherme, Meneguetti e RodriguesRadinho de pilha colado no ouvido e sintonizado na Rádio Atalaia de Maringá, o torcedor não tira o olho da bola colocada no centro do gramado do estádio Willie Davids. O juiz apita. Começa o jogo.
‘‘Aqui é Aírton Costa, com o coração cheio de amor pra dar’’. O torcedor vibra com o slogan do narrador de mais uma jornada esportiva da Atalaia. De dez em dez minutos, Aírton cede espaço aos repórteres Roberto Camilo e Marçal Siqueira, que entrevistam os torcedores sobre o jogo.
As opiniões do público são importantíssimas para o técnico do Maringá, clube da cidade que disputa o campeonato de futebol profissional do Estado. No último domingo, ele fez a substituição pedida pelos torcedores através da Atalaia e o Maringá acabou por vencer o jogo.
‘‘Você é de onde, meu irmão?’’, pergunta o repórter. ‘‘Sou de Santos (SP), estou aqui de passagem, mas se o Maringá não tirar esse camisa 10 de campo, não sei, não. Tem que colocar o Astorga. Já vi ele jogar antes. É muito bom’’, responde o torcedor. Astorga entra e marca um gol de placa.
Mas não é apenas esta participação popular durante as partidas que fez da Atalaia líder absoluta de audiência entre as rádios AM da cidade que transmitem jogos do Maringá.
‘‘O povo começa a dar suas opiniões sobre o jogo três horas antes de a partida começar. Recebemos uma média de 300 ligações durante o programa. As seis linhas do telefone ficam o tempo todo entupidas’’, explica o comentarista Sérgio Guilherme, o ‘‘Professor da Bola’’, como é chamado pelos companheiros.
A idéia do programa ‘‘Falando com a Galera’’, que começa às 13 horas, nos domingos de jogo no Estádio Willie Davids, é do diretor de esportes e âncora Ananias Rodrigues, que fica no estúdio, comandando seus pessoal. Às 13 horas, todos os integrantes do programa já estão no estádio.
O programa tem entrevistas com técnicos, jogadores, dirigentes e, principalmente, com torcedores. O ritmo é acelerado - o ouvinte fica com a impressão de que o jogo vai começar em instantes. Fala-se dos campeonatos paranaense e paulista e dos acontecimentos mais importantes do futebol brasileiro.
Há dez anos, lembra Sérgio, Ananias foi muito criticado pela imprensa esportiva local quando lançou a idéia do ‘‘Falando coma Galera’’. O programa só foi ao ar oito anos depois. Os torcedores eram ouvidos depois do jogo, mas falavam muito palavrão no ar. ‘‘Os torcedores ficavam zangados com os maus resultados do seu time e xingavam atletas e dirigentes’’, conta o comentarista.
Durante o programa, uma equipe móvel percorre as concentrações dos atletas e as ruas da cidade, conversando com atletas e torcedores. A maioria dos entrevistados pertence à classe de baixa renda da população. ‘‘São pessoas que querem desabafar. Querem exercer o direito de dar sua opinião’’, explica Sérgio.
A torcida em coro pede pênalti. O repórter Luís Fabretti, atrás do gol adversário, confirma: ‘‘Foi pênalti, sim, Aírton, eu vi!’’. ‘‘Não dá para entender este jovem’’, comenta o radialista Júlio Meneguetti, comentarista da Atalaia, referindo-se ao juiz. O povo, de radinho colado no ouvido, vibra com as colocações da equipe esportiva.
A audiência absoluta da jornada esportiva da Atalaia já começa a dar retorno para seus profissionais. No próximo dia 2 de abril, eles estarão em Brasília para transmitir Brasil x Chile. E em julho, serão os primeiros de Maringá a transmitir a Copa América, ao vivo da Bolívia. ‘‘Três horas antes de todos os jogos da seleção, o Falando da Galera estará no ar, falando com os torcedores de Maringᒒ, garante Sérgio.

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