O município de Fazenda Rio Grande, um dos mais violentos da Região Metropolitana de Curitiba, espera completar hoje um mês sem registrar nenhum homicídio. Acostumado a viver com índices de até quatro assassinatos por mês, como ocorreu em dezembro, o delegado José Carlos de Oliveira comemora os últimos números. Em 45 dias, houve redução de 50% nos furtos, 70% nos roubos e assaltos a ônibus e pedestres, e de quase 90% nos casos de violência doméstica.
A redução da criminalidade é atribuída ao ‘‘toque de recolher’’, instituídio pela prefeitura, por meio de decreto, em 2 de janeiro. As principais medidas são a obrigatoriedade do fechamento dos bares às 23 horas e o aumento do policiamento nas ruas. Na semana passada, Colombo, outro município da Região Metropolitana, seguiu o exemplo de Fazenda Rio Grande.
Além dos quatro homicídios, em dezembro a delegacia registrou 55 furtos, 44 assaltos e roubos e quatro furtos de veículos. Já nos últimos 45 dias, houve apenas um homicídio, 40 furtos, 26 roubos e dois furtos de veículos.
Para o delegado, a medida só está sendo eficiente porque as polícias Militar e Civil estão atuando firme na fiscalização em bares, lanchonetes e prostíbulos. Ele ressalta o fechamento das cinco casas de prostituição existentes na cidade, a presença constante da polícia nos pontos mais problemáticos e a decisão da prefeitura de só conceder novos alvarás com a concordância da Polícia Civil. O policiamento também está sendo incrementado a partir deste mês, com a contratação, pelo Conselho Comunitário de Segurança, de 12 policiais civis e militares aposentados. Além destes, a Polícia Civil conta com um efetivo de mais oito homens.
Para melhor atender os usuários, a delegacia inaugurou ontem uma nova sede. Também iniciou um trabalho inédito, de pesquisa junto aos usuários para detectar o grau de satisfação com seus serviços. ‘‘Queremos melhorar o nosso atendimento, saber o que as pessoas acharam, se houve demora’’, resume o delegado.
Oliveira também tem planos de implantar no município o projeto Correio Escolar, já testado por ele há dois anos, quando foi delegado no município de Piraquara, também na Região Metropolitana. O projeto prevê a colocação de caixas de correio nas escolas, para que os alunos façam reclamações e denúncias, que podem ser anônimas ou não.
Em Piraquara, segundo o delegado, as denúncias dos estudantes levaram à prisão de traficantes, além da descoberta de pontos de tráfico a até casos de violência contra crianças. Para implantar o projeto, ele espera conseguir um patrocínio, como em Piraquara, onde a ajuda financeira do Banestado foi fundamental para a compra das caixas para correio.

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