Lino Ramos
De Londrina
A atuação de pessoas sem formação profissional na área de topografia, na região de Londrina, é motivo de preocupação para o topógrafo Oséas Nogueira Paranaguá Fontenelle, 53 anos. Formado em agronomia e topografia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Fontenelle afirma que há pessoas que trabalham por determinado tempo como auxiliar e depois acabam se passando por profissional. Além da atuação irregular, alerta o topógrafo, ainda há prejuízos para quem contrata os serviços dos chamados ‘‘picaretas’’.
Segundo ele, há erros na demarcação de lotes, curva de nível e demarcações de área rural. ‘‘Eles se metem a fazer o serviço e cometem erros na zona urbana ou rural. Há profissionais de engenharia que se servem desse mau serviço ’’, denuncia. Na avaliação do topógrafo, o mau profissional encontra espaço porque as pessoas que o contratam vão atrás do menor preço.
Como exemplo das consequências da atuação desses ‘‘picaretas’’ , Oséas Nogueira Fontenelle cita episódios onde uma determinada casa é construída fora das medidas reais, ficando metade em cada lote. De acordo com Fontenelle, esse tipo de problema é mais comum nos loteamentos populares. ‘‘Eu costumo dizer que a pessoa humilde paga muito caro por um serviço muito malfeito’’, comenta.
Para não ser vítima de ‘‘armadilhas’’ quando precisar de um serviço de topografia, Fontenelle aconselha o cidadão a pedir o registro do profissional junto ao Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea), além do fornecimento da ART (Anotação de Responsabilidade Técnica), fundamental para processar o responsável pelo trabalho em caso de erro técnico. O topógrafo calcula que existem de 25 a 30 profissionais qualificados na região, mas somando as pessoas que atuam de forma irregular, esse número salta para 50.
A falta de cursos para a formação de profissionais também é um problema apontado por Oséas Paranaguá Fontenelle. Há cinco anos o Instituto Politécnico de Londrina (Ipolon) deixou de oferecer um curso na área porque, segundo o diretor do Ipolon, Osvaldo Alves, faltaram candidatos.
Segundo o professor, o instituto poderá retomar esse curso caso haja demanda pois manteve a estrutura que havia na época. ‘‘A falta de cursos é um problema para os engenheiros de rodovias. Os topógrafos estão ficando velhos. Nossa vida útil é pequena porque você topa tudo na natureza (chuva, frio, calor) e não pode olhar as dificuldades’’.
Oséas Fontenelle lembra que a remuneração média do profissional varia de R$ 1,2 mil a R$ 1,5 mil, porém os ‘‘picaretas’’ costumam fazer o serviço pela metade do preço.
Para o gerente do setor de topografia da Prefeitura de Londrina, Mauro Aparecido Campanini, o topógrafo precisa ter o registro no Crea, assim como o médico precisa do CRM (registro no Conselho Regional de Medicina). ‘‘Às vezes acontece de o topógrafo abrir um escritório e contratar um auxiliar. O dono do escritório é quem assina mas com isso poderá ter problemas’’, alerta.
Campanini lembra que o preço do serviço para um terreno de 300 metros quadrados gira em torno de R$ 100,00 mas a pessoa sem formação costuma cobrar R$ 30,00 e alguns loteadores também se aproveitam da mão-de-obra barata. ‘‘Quem cobra mais barato deixa o profissional de fora’’, analisa.
Para amenizar o problema, Mauro Campanini sugere a formação de uma associação dos topógrafos. Segundo Oséas Fontenelle, essa alternativa está sendo discutida pelos profissionais.