Tomazina: moradores sofrem com reconstrução lenta
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sexta-feira, 21 de maio de 2010
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
Tomazina - Quase quatro meses depois que uma enchente ocasionada pela cheia do Rio das Cinzas devastou o município de Tomazina (Norte Pioneiro), a cidade ainda sofre com a demora para sua reconstrução. Um dos principais problemas que têm afetado a população é a falta de várias pontes levadas pelo rio e que até hoje não foram reerguidas por falta de recurso. A enchente do dia 29 de janeiro deixou cerca de 500 famílias desalojadas e desabrigadas.
O produtor rural Flávio Chueire mora no centro da cidade e possui uma propriedade no bairro Paiol, onde uma das pontes foi destruída. Segundo ele, a comunidade precisou improvisar uma ''pinguela'' feita com dois troncos de eucalipto para conseguir trafegar na região.
''A ponte liga algumas proriedades e também dá acesso ao centro da cidade. Não está sendo fácil porque trabalhamos com leite e estamos tendo um grande trabalho para conseguir entrar e sair da propriedade'', reclamou.
Já o fazendeiro José de Oliveira Camargo, que mora na região do Gabiroval, está deixando de vender leite porque a fábrica de queijos que compra seu produto não tem conseguido chegar à sua propriedade.
''Eles não conseguem vir até aqui porque a ponte foi levada na época da enchente e nunca mais conseguimos transitar facilmente. Isso aqui está uma calamidade'', disse.
As reclamações têm chegado com frequência na prefeitura do município, que afirma já ter investido cerca de R$ 200 mil de recursos próprios na reconstrução de algumas pontes, casas e vias públicas. ''Na época da enchente, Tomazina foi notícia nacional e muitos ofereceram ajuda, mas até agora só tivemos a ponte do centro da cidade reconstruída. As demais regiões sofrem com os bloqueios'', disse o prefeito Guilherme Cury Saliba Costa.
De acordo com o prefeito, já existe uma verba empenhada pelo Ministério da Integração que deve girar em torno de R$ 3,7 milhões para a construção de 70 casas populares, reconstrução de 65 casas danificadas, além de outros estragos na cidade. Esse montante ainda não chegou à administração. O problema, segundo o prefeito, é a colaboração do Governo do Estado que tinha garantido a ajuda na reconstrução de pelo menos 26 pontes e até agora o município não teria recebido nada.
''Eles pediram uma reavaliação da situação dessas pontes e chegamos a baixar para 13 pontes, as demais teremos que arcar com nosso próprio recurso. Mas ainda assim eles não se manifestam quando começarão a realizar o trabalho e a população têm nos cobrado muito'', reclamou Costa.
A FOLHA procurou o Departamento de Estradas e Rodagem (DER) para checar quando chegaria ajuda do Estado à cidade. A assessoria de imprensa informou apenas que está previsto um montante de cerca de R$ 900 mil para reconstrução das cabeceiras de 13 pontes, mas ainda não há previsão para liberação do recurso.


