Tomate caro não muda hábito alimentar
Telma Elorza
De Londrina
Um componente indispensável na mesa do brasileiro está deixando de ser consumido por muitos londrinenses por causa da alta no preço verificada nos últimos meses. Variando de R$ 1,47 a R$ 2,50 o quilo, o tomate preocupa também os comerciantes, que já estimam uma queda nas vendas que pode chegar a 50%.
No Hipermercado Carrefour, em Londrina, a queda na venda do produto já chegou a 30%, segundo o gerente do setor de frutas e verduras Benedito Aparecido da Silva. Comercializando no início da semana o quilo do tomate de primeira a R$ 1,89 em oferta especial mais caro que o quilo de frango resfriado, anunciado no mesmo estabelecimento por R$ 1,38 na segunda-feira , o hipermercado está vendendo apenas cerca de 550 quilos por dia. Em épocas normais, vendemos 700 quilos ao dia, afirmou o gerente. De acordo com ele, a empresa tentou segurar o preço do produto. A gente tinha que fazer uma escolha entre preço mais baixo e qualidade. Optamos pela qualidade, disse.
Segundo Benedito da Silva, o consumidor pode até reclamar do preço mas não deixa de comprar. Ele leva menos do que costuma, mas compra. O casal Geraldo Dinis Leite, 48 anos, e Neide dos Santos, 33, confirma. Embora com o marido reclamando do preço do tomate, a esposa não deixou de comprar alguns. Eu acho que está muito caro e que ninguém deveria comprar. Mas ela diz que não dá para substituir. Por mim, passo muito bem sem. Prefiro carne, disse Geraldo.
No Hipermercado Super Mufato, o tomate de primeira era comercializado no início da semana por R$ 1,47 o quilo. Segundo o encarregado do setor Alex Pereira Barreiros, a empresa está comercializando quase a preço de custo. Mesmo assim, as vendas não estão sendo o que costumava ser. O pessoal está pensando duas vezes antes de comprar. Se costumava comprar dois quilos, agora compra um, afirmou. No supermercado, a queda nas vendas do produto já atingiu 40%, segundo ele.
Eles estão vendendo a preço de custo, porque aqui está barato em relação ao que a gente paga na caixa (embalado), disse João Lupis, 61 anos, que trabalha vendendo verduras com uma Kombi e estava fazendo compras no estabelecimento. Segundo Lupis, a caixa de 25 quilos de tomate de primeira qualidade está sendo comercializada a R$ 28. Está difícil para trabalhar porque a gente paga caro e tem que vender caro, lamentou. Mas, para Lupis, não é apenas o tomate que está puxando os preços. Há 15 dias a caixa de cenoura custava R$ 12. Hoje, já está a R$ 20. E o pepino também subiu muito, relacionou.
Na feira livre da Vila Casoni, os preços do produto ficaram também entre R$ 1,40 e R$ 1,80. Os consumidores reclamaram, mas não deixaram de comprar. Eu acho que está caro porque a qualidade não está boa. Tem que escolher muito para levar algo que se aproveite, disse a dona de casa Auta Pereira Santana, 65 anos. Mesmo assim, ela explicou que não pode ficar sem a fruta em casa. É algo que não dá para substituir, a gente usa tomate em muitos pratos.
Segundo o feirante Airton Tadao Sumita, 40 anos, o preço do produto vem subindo constantemente nos últimos 30 dias. Já está alcançando o preço da carne, compara. De acordo com ele, todos os clientes estão reclamando, mas não deixam de comprar. A queda nas vendas já chegou a 50%. Eu vendia de 100 a 120 quilos por dia, agora vendo 50, 60 quilos, diz.Consumidor londrinense compra o produto em menor quantidade mas não dispensa o uso da fruta na salada ou no molho
Josoé de CarvalhoProduto com preço alto, menor consumo e queda que, segundo os comerciantes, já atinge os 50%Josoé de CarvalhoFeirante Airton Sumita: preço da carneJosoé de CarvalhoAuta Pereira Santana: caro mas de boa qualidadeJosoé de CarvalhoJoão Lupis: preço mais em conta nos supermercadosJosoé de CarvalhoNeide dos Santos: fruta que não pode ser substituída na mesa





