Londrina - Nas ruas, a expectativa é que as vagas nos abrigos sejam ampliadas, com oportunidades de trabalho. Na manhã de ontem, Gustavo Martins de Souza, de 39 anos, tentava uma vaga no Lar Bom Samaritano. Desgarrado da família de Presidente Venceslau (SP), o servente de pedreiro passou meses nas ruas, mas tenta construir vida nova. "Não tenho medo de trabalhar, só preciso de uma chance". Ele acredita que se o plano intersetorial for cumprido, haverá mudança significativa. "Tomara que não fique só no papel", cobrou. A opinião foi compartilhada por colegas que preferiram não se identificar.
Leonardo Aparecido Gomes morou nas ruas por quase uma década. Hoje faz parte do Movimento Nacional da População em Situação de Rua. "Não estou mais nas ruas, mas sinto na pele cada agressão que cada irmão sofre, a fome, o frio. O serviço do poder público é importante. Toda ajuda é bem-vinda e necessária".
Segundo levantamento da Assistência Social, existem cerca de 300 pessoas em situação de rua em Londrina. Em parceria com os abrigos APP Vida, S.O.S e Bom Samaritano, o Município dispõe de 152 vagas de acolhimento. De acordo com a secretária de Assistência Social, Télcia Lamônica, quase mil pessoas foram abrigadas em 67 dias de frio este ano. "Temos que reconhecer o trabalho de acolhimento, da abordagem, do consultório na rua. O que queremos agora é manter e ampliar as garantias dessa população". (C.F.)

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