Tomara Que Caia completa 40 anos de amizade
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terça-feira, 22 de julho de 1997
Lúcio Horta Londrina 
Tudo começou numa quinta-feira, 14 de julho de 1957, na sede da Arel, em Londrina. Um grupo de amigos praticantes do bolão - esporte antigo, muito parecido com o boliche e dificilmente encontrado hoje em dia - resolveu se encontrar semanalmente para treinar, competir e, sobretudo, jogar conversa fora. Nascia ali o TQC, ou Tomara Que Caia - nome sugerido pela esposa de um dos participantes.
Naquela época, outros quatro grupos também praticavam o bolão na Arel e cada um tinha um dia específico da semana para treinar. Mas o grupo da quinta-feira, formado só por homens, foi ficando, ficando... Hoje, exatamente 40 anos depois, o TQC continua se reunindo, quatro vezes por mês, sempre no mesmo dia da semana, na sede do clube. No último dia 10, excepcionalmente, houve uma variação: o encontro foi realizado no Clube da Costela.
O Tomara que Caia cresceu muito inclusive porque o pessoal que veio depois - filhos, netos - deu muita força e foi incrementando o grupo. E o nosso objetivo nunca foi mesmo formar jogadores, era mais pela amizade, explica Manoel Arrabal, único fundador do grupo que está vivo. Segundo ele, mesmo quando eles resolveram deixar o bolão de lado, no final da década de 70, as reuniões continuaram sagradas. Apenas a pista de bolão foi trocada por uma mesa, cerveja e carne assada.
Hoje as reuniões são informais, não há nada que obrigue à participação. É só por prazer, para conversar, tentar resolver os problemas do País e de tudo o mais, brinca Júlio Roehrig, segunda de três gerações que frequentam ou frequentaram o grupo: o pai foi um dos fundadores e, agora, o filho dele também participa. Ele conta que anualmente o TQC elege diretoria, manda flores no aniversário de cada esposa e alguma lembrança na data de casamento. E a Arel dá muita força para gente. Inclusive cinco ex-presidentes do clube fazem parte do TQC.
O sistema de ingresso no Tomara Que Caia já foi mais rígido do que é atualmente, explica Arrabal. Se havia um voto contrário, por exemplo, a pessoa já era impedida de entrar no grupo. Hoje é mais por consenso, amizade, aponta. Atualmente, são 18 inscritos, com uma média de frequência de doze pessoas em cada reunião. Nem sempre dá para reunir todo mundo numa só semana, mas a gente vai levando.
Nesses 40 anos, além de reforçar os laços de amizade o grupo também foi colecionando histórias. Uma delas aconteceu no Paraguai, em pleno 1968, quando o TQC viajou para jogar bolão. O grupo entrou no país vizinho com ônibus e resolveu soltar um foguetório para comemorar a chegada. O único inconveniente - que eles desconheciam - é que, naquela época, era terminantemente proibido soltar rojões no Paraguai.
Para piorar a situação, eles passaram fazendo barulho ao lado de uma convenção do partido do ditador militar Alfredo Stroessner. E com um detalhe: a placa na frente do ônibus, identificando o grupo, de um país para outro acabou ganhando um caráter altamente subversivo: Tomara Que Caia.
Quando os militares fecharam a rua e cercaram o ônibus a gente achou que fosse o pessoal do bolão nos recepcionando, lembra Ernin Heinz Wollmersheiser, outro integrante do TQC. Segundo ele, a sorte foi que a filha do guia que os acompanhava era casada com um general. O embaixador do Brasil deu muita risada, mas depois disse que por pouco não tinha acontecido um incidente internacional.


