Tomadas podem representar risco de incêndio
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quinta-feira, 23 de novembro de 2006
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Tomadas não falam mas, mesmo assim, reclamam do trabalho extra que têm quando chegam as festas de final de ano. Já sobrecarregadas pelo acúmulo de equipamentos eletroeletrônicos - como DVDs, vídeo-games e telefones celulares -, nesta época elas podem entrar literalmente em curto-circuito com instalação de pisca-pisca e outros acessórios elétricos alusivos às festas natalinas. Diante de tanto esforço, fica o alerta: o uso das extensões conhecidas como ''benjamim'' ou ''T'' não minimizam os riscos. Pelo contrário, podem aumentar as chances de eventuais problemas.
Engenheiro eletricista da Copel em Londrina, José Roberto Lopes esclarece que as tomadas residenciais têm potência suficiente para receber um único equipamento eletrônico como uma TV, um aparelho de som, uma geladeira ou computador. ''Esse tipo de tomada suporta equipamentos com potências que variam de 1000 a 1.500 Watts'', comenta. Ele alerta que outros equipamentos como ar-condicionado ou microondas devem ser instalados em entradas com potências equivalentes porque consomem mais energia elétrica.
Lopes desaconselha totalmente o uso de ''benjamin'', ''T'' ou qualquer outro tipo de extensão que explore uma única tomada. ''Primeiro porque podem ser ligados numa mesma tomada equipamentos com potências variadas. Além disso, por não terem nenhum tipo de padronização e serem de qualidade duvidosa, as extensões podem, por mau contato elétrico, provocar superaquecimento. Como os equipamentos permanecem ligados o tempo todo, o plástico com o qual foi feito a extensão perde suas características e amolece, os contatos ficam ainda menos firmes e isso pode provocar um curto-circuito e um princípio de incêndio''. O calor também indica que o usuário está pagando uma energia que está sendo desperdiçada.
O engenheiro lembra ainda que a falta de normatização e padronização de tomadas, dos aparelhos eletroeletrônicos e das próprias extensões aumentam ainda mais os riscos. Lopes exemplifica que o fio-terra - que é fundamental tanto para a proteção das pessoas como para os equipamentos - não é obrigatório. De acordo com ele, isso é uma pena porque o uso do fio-terra poderia evitar muitos acidentes. A solução, segundo ele, passa pela conscientização dos usuários e também pela adequação das tomadas à potência que se necessita.
O capitão Wilson Oliveira Paulino, do Corpo de Bombeiros de Londrina, reforça as preocupações do engenheiro ao ressaltar que a decoração de natal que usa eletricidade normalmente é ligada na mesma tomada junto com outros aparelhos que ficam sobre móveis ou próximos de cortinas, tapetes e outros materiais altamente inflamáveis. Uma fagulha e o que era alegria pode se transformar em uma tragédia. ''Ninguém deve se sentir impedido de decorar a casa mas é preciso ficar atento para não superdimensionar a tomada'', observa.
Quem precisa usar muitas tomadas dá uma boa dica de segurança. Tomás Henrique Pimenta, instrutor de um ''cyber café'' do centro de Londrina, utiliza réguas equipadas com disjuntor, chamadas de ''filtros de linha'', que desligam automaticamente quando há alguma variação de tensão. ''Não tem o risco de dar sobrecarga no aparelho'', ensina.


