''Essa é a Rua Achiro Kawazaki, mas não me pergunta como se escreve, que é muito complicado.'' Assim Eliane Costa Santos, de 72 anos, revela uma das características do Jardim Tokyo (Zona Oeste), bairro de casas simples e população reservada, que nasceu há quase 40 anos, a partir de uma área de 363 mil metros quadrados. O nome do ex-proprietário, como era de se esperar, também remete ao Oriente. Massao Inoue comprou a área em 1947 e, em julho de 1968, viu o loteamento ser aprovado pelo município.
Eliane é uma das moradoras antigas do bairro, está no local há 24 anos, e diz que até hoje não sabe os nomes das ruas da redondeza. Sentada na calçada, ao lado do neto Welinton, de 8 anos, ela recebe os visitantes com sorrisos e muito bom humor. Desconfiada, porém, quer saber por que tantas fotos são tiradas. ''Eu não sou de andar muito por aí. Só saio para ir na feira, no Jardim Bandeirantes. Aqui cada um cuida da sua vida. Eu fico no meu canto e ninguém me incomoda'', diz.
Outras duas moradoras procuradas para falar sobre o lugar onde moram também não gostam de muita exposição. ''Foto pra quê?'', perguntam Luzia Trindade Matos, ou dona Lola, de 60 anos, e Jacira Oliveira, de 65 anos. Ambas moram há 30 anos no lugar, uma é dona-de-casa e a outra proprietária do único mercadinho do bairro. ''As ruas eram de terra e aqui tinha poucas casas. A gente conhecia todo mundo. Hoje vejo muita gente que não conheço'', conta dona Lola.
Conhecer todas as ruas, embora se trate de um bairro pequeno, também não é tarefa fácil. Nomes como Anatólio Michaelowiski, Tamekishi Hara e Miguel Karaksoft dificultam a memorização e pronúncia. Nelas o comércio é quase inexistente, e a sensação é de tranquilidade.
''Nos mudamos para o bairro em 1980, e moramos lá durante 12 anos. Sempre tive orgulho de ser morador do Tokio. O pessoal costuma dizer que é um bairro violento, mas nunca tivemos problemas. Já fizemos festa até no campo de futebol, e foi tudo tranquilo'', relata Izídio Salvador Vieira, que junto com a mulher Nilva coordena o grupo de 3 idade A Vida Continua. O grupo é ligado à Paróquia Nossa Senhora da Piedade, famosa pelas festas que reúnem grande parte da população do bairro.
''Promovemos gincanas, bingos, festa junina e o baile onde é escolhida a Miss 3 Idade. A intenção do grupo sempre foi mostrar que o bairro tem o seu lado bom'', complementa Vieira. Segundo ele, o grupo é aberto a moradores de outros bairros também. Entre as 15 candidatas que disputarão a faixa de miss no próximo sábado, dioa 26, quando acontece o concurso deste ano, a maioria mora nos bairros vizinhos, como Vila Industrial. ''O Tokyo é um bairro muito bom. O vice-prefeito (Luis Fernando Pinto), por exemplo, fez parte do nosso grupo de jovens'', reforça Vieira, que continua frequentando a Paróquia Nossa Senhora da Piedade.

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