Todos temos, dentro de nós, uma criança
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terça-feira, 02 de abril de 2013
Elaine Patricia Cruz<br>Agência Brasil 
São Paulo Monteiro Lobato, Ziraldo e Ruth Rocha são alguns dos grandes escritores que ficaram conhecidos no país por suas histórias destinadas ao público infantil. Apesar de tão conhecida, a literatura infantil ainda é um mercado novo no Brasil, na opinião do presidente da Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil (Aeilij), Hermes Bernardi Jr.
Ele acredita que só recentemente o mercado brasileiro entendeu que livro infantil não é sinônimo de livro educativo ou pedagógico. "Livro infantil não é só para educar a criança, mas para envolvê-la, com sensibilidade, a alguns aspectos que fazem parte da vida tais como o jogo, a relação, a brincadeira, o medo e o conflito", disse.
Bernardi Jr lembrou que a descoberta de que o livro infantil não tem que ser especificamente utilitário e pedagógico é recente. "Apesar de termos, lá atrás, (escritores como) Monteiro Lobato, Ziraldo, Ruth Rocha e Sylvia Orthof, (responsáveis) por momentos marcantes da literatura infantil e juvenil brasileira, (há apenas) uns dez ou 15 anos, vivendo esse outro momento, (de considerar o livro infantil como lúdico)".
Para ele, o livro infantil não é apenas um objeto que tem uma função específica: é um objeto de arte. "Ele lida com dois elementos de narrativa, a palavra e a imagem, que qualificam o leitor em seu olhar diante do mundo". Bernardi Jr lembrou que a literatura infantil não é escrita tão somente para crianças. "A criança para a qual eu escrevo habita um corpo. Mas a idade desse corpo não me interessa. Todos temos, dentro de nós, uma criança. Podemos escrever livros infantis para crianças de qualquer idade".
Para o presidente da associação, o hábito da leitura deve ser incentivado desde cedo. "A primeira relação que se estabelece com o livro, se ela for mediada com sensibilidade, (pode fazer) a criança estabelecer uma relação muito forte com o livro". Ele considera a mediação uma parte importante na criação do hábito. "Se houver uma boa e bem realizada mediação pela família, em primeiro lugar, e depois na escola e nas relações de amizade, o livro passa a ser um companheiro inseparável na vida de qualquer sujeito".


