Todos são capazes de concluir o curso
DivulgaçãoNota 10Com material bem produzido interligando as disciplinas, o projeto Correção de Fluxo assegura melhor desempenho aos alunosPartindo do princípio de que não existe criança incapaz, mas método pedagógico inadequado, a Secretaria de Educação desenvolveu um material próprio, agrupando os conteúdos fundamentais para o aluno aprender e chegar ao final do ano preparado para ingressar na 8ª série no ano que vem concluir o 1º grau. Essa é em termos gerais a linha mestra do Programa Correção de Fluxo.
O programa atende hoje 110 mil alunos de 1.170 escolas estaduais que decidiram aderir. A possibilidade de o aluno alcançar a série de acordo com sua faixa etária chegou a provocar um aumento na procura de vagas.
Alunos de mesma faixa etária têm condições de apreender as mesmas coisas. Os interesses são comuns, por exemplo, para todas as crianças com 14 anos. A linguagem é a mesma e o nível de compreensão também. Um fala o código dos outros e eles se ajudam entre si, explica a professora Zélia Marochi.
Todas essas crianças repetiram pelo menos duas vezes a mesma série. O destino delas é a 8ª série. Aquelas que não estiverem preparadas vão fazer outra série, mais baixa, mais nenhuma dessas crianças vai repetir o ano que está. As sucessivas reprovações não ajudam em nada, explica a professora Zélia, refutando conceitos antigos de que a repetência é o melhor caminho para garantir o sucesso escolar daqueles que apresentam dificuldades no aprendizado.
Se um aluno é multirepetente da 5ª série e tem idade para estar na 8º, mas mesmo com Correção de Fluxo não está preparado para isso, ele pode fazer a 7ª série no ano que vem. O que não vai acontecer com ele é repetir de ano outra vez, assegura Zélia.
O Correção de Fluxo busca corrigir o fracasso escolar. A média nacional para conclusão do 1º grau é de 11 anos e seis meses, havendo casos de alunos que levam de 12 a 13 anos para terminar o curso. Em 1995 a Secretaria de Educação iniciou uma pesquisa segundo a qual 37% dos estudantes da rede estadual, no início daquele ano, estavam fora do período regular de escolarização, distorção que refletia o período de 1987 a 1994.
As turmas de 5ª à 8ª série estavam congestionadas e 56,5% dos alunos matriculados tinham 14 anos de idade. Dados comprovam que antes de abandonar os estudos, o aluno fica seis anos e quatro meses, em média, tentando concluir o curso.
Agora, 110 mil alunos que aderiram o programa vão passar por testes de avaliação. E, a partir do próximo ano, a Secretaria de Educação vai aplicar o mesmo Programa de Correção de Fluxo da 1ª à 4ª série. São 18 mil os estudantes que estão nestas séries e poderiam estar mais adiantados. Para implantar a proposta, a Secretaria de Educação desenvolveu um material especial e um treinamento específico para 11 mil professores.
A partir do currículo oficial criamos quatro cadernos, que funcionam como eixos ou núcleos fundamentais em cada área do conhecimento. O que queremos é preparar esse adolescente para as exigências do mundo; queremos que ele desenvolva a apreensão de conceitos e desenvolva habilidades sobre áreas específicas, explica a professora Zélia.
EsforçoA Correção é uma espécie de revisão do que é indispensável. As disciplinas de Português, Matemática, História, Geografia e Ciências são ensinadas de maneira interligada, de forma que o professor é capaz de verificar rapidamente até onde vão os conhecimentos do aluno. Então, o professor desenvolve noções e conceitos específicos.
Em todo o material existe um esforço para que o adolescente domine o trabalho de leitura e escrita, sempre de forma prática, através da leitura de jornais, correspondência, debates, oficinas de textos, organização de narrativas para comunicação etc.
Na prática, o aluno tem acesso a noções e conceitos nas áreas específicas do conhecimento entre a 5ª e a 7ª séries. Todos eles recebem o conteúdo integral dessas séries e têm a oportunidade de continuar os estudos e concluir o 1º grau.
Para atender a todas as exigências da política educacional do Paraná, a Fundepar está construindo e ampliando 161 prédios com 609 salas de aulas comuns e outras 501 especiais que vão atender aproximadamente a 60 mil alunos. Os investimentos previstos alcançam mais de R$ 15 milhões.
Além dessas obras, outras 39 novas unidades, no valor de R$ 17 milhões, estão em construção em 19 municípios via convênio com o Banco Mundial através do PQE (Programa de Qualidade no Ensino Público do Paraná).





