No tocante ao patrimônio cultural e histórico de uma comunidade como Londrina uma questão é fundamental: definir o que deve ser preservado. ‘‘Existem dois caminhos: tudo aquilo que é mais representativo do ponto de vista de períodos e estilos e que são capazes de dar materialidade a conceitos históricos; e o que tem significado afetivo’’, orienta a historiadora e diretora do Museu Histórico Padre Carlos Weiss, Angelita Marques Visalli.
  A memória das pessoas comuns, esquecidas pelos poderes instituídos, também faz parte do patrimônio, destacam Ana Maria Chiarotti de Almeida e Ana Cleide Chiarotti Cesário, coordenadoras do Inventário de Proteção do Acervo Cultural de Londrina (Ipac), projeto de extensão sediado na Casa do Pioneiro da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
  Angelita observa que a importância de um bem cultural não reside apenas em seu significado histórico ou no fato dele ser antigo. Ele pode, por exemplo, ter relevância para a comunidade. Ela reforça ainda que preservação não deve ser sinônimo de petrificação da cidade. ‘‘Temos que definir o que vamos deixar para as gerações seguintes de representativo sobre o nosso tempo e o tempo passado, pelo qual também somos responsáveis’’, afirma.
  No mesmo sentido, as coordenadoras ampliam o debate para além do que já está institucionalizado. O Inventário, por exemplo, realiza projetos de valorização da memória em bairros junto a estudantes. Ana Maria foge da noção meramente burocrática do termo e argumenta que ‘‘é preciso demonstrar que todos produzem cultura’’. Por isso, pontua: ‘‘a cidade tem que ser usufruída por todos os cidadãos; todos temos que ter direito a ela’’. Neste sentido, a história do trabalhador que derrubou a mata para que Londrina surgisse é tão importante quanto a dos ingleses que lideraram a ocupação do território. (L.A.)

mockup